Gabriela Hardt é Afastada por Dois Anos pelo CNJ e Continua Recebendo Salário
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, na última terça-feira (4), afastar a juíza Gabriela Hardt de suas funções por dois anos, em decorrência de irregularidades na homologação de um acordo durante a Operação Lava Jato. Apesar da punição, Hardt continuará a receber seu salário, embora perca benefícios adicionais.
Em junho de 2026, a juíza teve uma remuneração bruta de R$ 77.983,48, com um valor líquido de R$ 56.161,46, conforme dados do Portal da Transparência do CNJ. O salário fixo da magistrada é de R$ 39.753,21, e esses valores podem variar devido a gratificações e penduricalhos.
A investigação sobre Hardt começou em 2024, quando a Corregedoria do CNJ detectou possíveis irregularidades na homologação de um acordo que previa a criação de uma fundação privada, financiada com recursos da Lava Jato, que poderiam chegar a R$ 2 bilhões. O CNJ aprovou a punição por unanimidade, com a aplicação da pena de disponibilidade, que mantém a remuneração proporcional ao tempo de serviço, mas afasta a juíza de suas funções.
Gabriela Hardt ganhou destaque nacional ao substituir Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba, onde atuou durante a Lava Jato. Natural de São Mateus do Sul (PR), a magistrada de 47 anos é formada em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ingressou na Justiça Federal em 2009, assumindo a 13ª Vara em 2014.
Durante o processo, a juíza foi investigada por homologar o chamado "acordo de assunção de compromissos", que permitiria a criação da fundação. Relatórios indicaram que Hardt discutiu os termos do acordo com procuradores da Lava Jato, antes do pedido ser formalmente apresentado. A rapidez da homologação e a ausência da União nas discussões foram pontos questionados.
O relator do caso, conselheiro Badaró, destacou que, embora não houvesse provas de enriquecimento pessoal por parte de Hardt, a falta de diligências adequadas caracterizou uma "grave violação dos deveres do cargo". A defesa da juíza argumentou que ela não cometeu irregularidades e que agiu dentro da interpretação jurídica adequada, sem interesses pessoais.
A decisão do CNJ reflete a complexidade e a seriedade das ações na Operação Lava Jato, que continua a impactar a política brasileira e a atuação do Judiciário. Durante os próximos dois anos, Gabriela Hardt permanecerá afastada, recebendo apenas sua remuneração proporcional.
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