Juros Futuros Caem com Deflação nos EUA e Ações do Tesouro

Juros Futuros Caem com Deflação nos EUA e Ações do Tesouro

Taxas dos DIs Caem em Reação à Deflação nos EUA e Queda dos Rendimentos dos Treasuries

SÃO PAULO, 14 de julho – As taxas dos depósitos interfinanceiros (DIs) registraram queda significativa na última terça-feira, acompanhando o recuo dos rendimentos dos Treasuries no mercado internacional. A movimentação se deu após a divulgação de dados de deflação nos Estados Unidos, que superaram as expectativas do mercado.

Ao final do dia, a taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 13,87%, uma queda de 14 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,011%. Para janeiro de 2035, a taxa foi de 14,3%, com uma diminuição de 8 pontos-base em comparação aos 14,381% da sessão anterior.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos EUA apresentou uma redução de 0,4% em junho, conforme reportado pelo Departamento do Trabalho, superando a expectativa de queda de 0,1% prevista por economistas. Em termos anuais, o CPI subiu 3,5%, abaixo dos 3,8% projetados. O núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, manteve-se estável em junho, com um aumento anual de 2,6%, inferior ao 2,9% anterior.

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, destaca que a surpresa nos índices reforça a percepção de um arrefecimento da inflação nos Estados Unidos a curto prazo. No entanto, ele ressalta que essa desaceleração se deve, principalmente, à queda pontual nos preços de energia, favorecida pela trégua no conflito do Oriente Médio, que já apresentava sinais de escalada novamente nas últimas semanas.

A divulgação do CPI foi bem recebida pelos investidores, que ajustaram suas expectativas quanto a uma possível elevação das taxas de juros pelo Federal Reserve, atualmente entre 3,50% e 3,75%, para a reunião que ocorrerá no final deste mês. Esse cenário resultou em uma forte queda nos rendimentos dos Treasuries, impactando também as taxas dos DIs no Brasil e contribuindo para a desvalorização do dólar, que ficou abaixo de R$ 5,10.

Durante a manhã, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu um pico de 14,065% antes da divulgação do CPI e, em seguida, caiu para a mínima de 13,860% às 12h25. A taxa para janeiro de 2035 também apresentou queda, marcando a mínima de 14,250% às 12h23.

No Brasil, o Tesouro Nacional realizou um leilão de títulos que corroborou a tendência de queda das taxas dos DIs. Foram vendidos 1,250 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) e apenas 150 mil Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs), em uma estratégia de oferta reduzida para evitar pressão de alta nas taxas.

No cenário internacional, os investidores continuam atentos ao conflito entre os EUA e o Irã, além das tensões no Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou em relação à proposta de implementar uma taxa de 20% sobre o trânsito de navios na região, optando por buscar acordos de investimento com os países do Golfo Pérsico. Em resposta, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a medida como “pirataria”.

Às 16h34, o rendimento do Treasury de dois anos, que reflete as expectativas para as taxas de juros de curto prazo, registrou uma queda de 7 pontos-base, atingindo 4,189%. Já o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, caiu 3 pontos-base, marcando 4,579%.

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