Em Brasília, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou ter se encontrado em março de 2025 com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e proprietário do extinto Banco Master. A confirmação veio após a divulgação de uma reportagem do portal ICL Notícias, que apresentou áudios atribuídos ao advogado de Vorcaro, Ciro Soares. Nos áudios, Soares mencionava o agendamento de reuniões entre o empresário e o ministro para discutir processos relacionados a precatórios sob a supervisão do Banco Master.
A assessoria de Mendonça esclareceu que o encontro ocorreu por iniciativa de Vorcaro e que o ministro apenas ouviu o empresário. Segundo a nota, Mendonça enfatizou que sua atuação judicial foi contrária aos interesses de Vorcaro, destacando que a matéria em questão estava sob vista de outro ministro na época da reunião. O ministro também confirmou ter recebido Soares, o advogado, para discutir créditos de precatórios, mas reiterou que não tomou nenhuma providência que beneficiasse o empresário.
A reportagem do ICL Notícias indicou que houve supostos encontros em uma alfaiataria em São Paulo, onde Soares afirmava estar atuando em favor de Vorcaro e mencionava a intermediação de um deputado federal. As gravações revelaram que o advogado tinha conhecimento da situação do Banco Central e que Vorcaro estava tentando estabelecer um diálogo com o STF.
Além disso, recentemente, Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal ligado à Operação Compliance Zero. O relatório trouxe à tona indícios de conexão entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de diálogos que envolviam o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ao contrário de Mendonça, Moraes não se manifestou sobre as revelações da PF, que incluíam mensagens trocadas antes da prisão de Vorcaro e a menção de um contrato significativo entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes.
Gonet, por sua vez, pediu a anulação das provas obtidas na investigação, alegando que houve descumprimento dos ritos processuais do STF. O caso gerou reações diversas entre autoridades e levantou questões sobre a ética e a legalidade das interações entre magistrados e partes envolvidas em processos judiciais.
Mendonça reiterou que suas decisões sempre foram pautadas pela legalidade e impessoalidade, e que a atuação jurisdicional foi contrária à posição defendida por Vorcaro. Ele também afirmou que todos os registros das audiências estão arquivados em seu gabinete, ressaltando que sua conduta, tanto pública quanto privada, é guiada por normas de ética. O ministro evitou comentar sobre diálogos privados entre terceiros e reafirmou seu compromisso com a legalidade nas suas ações.
Esse episódio destaca a complexidade das relações entre o Judiciário e os interesses privados, além de suscitar debates sobre a transparência e a responsabilidade de autoridades judiciais em suas interações com cidadãos e entidades. As repercussões ainda devem se desenrolar à medida que a situação avança e mais informações são divulgadas.
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