Moderna: Aumento de quase 300% nas ações em um único dia

Moderna: Aumento de quase 300% nas ações em um único dia

Moderna Renova Esperanças com Avanços em Vacinas Contra o Câncer

A Moderna, empresa que se destacou globalmente com suas vacinas contra a Covid-19, enfrenta um desafio significativo à medida que a demanda por seus imunizantes despencou. Com uma queda acumulada de quase 90% nas ações desde seu pico, a companhia viu cerca de US$ 170 bilhões em valor de mercado serem eliminados. Entretanto, novos desenvolvimentos em sua pesquisa oncológica podem mudar o rumo da empresa.

Na quarta-feira, a Moderna e a farmacêutica Merck anunciaram resultados promissores de sua vacina experimental contra o câncer. Os dados de um ensaio clínico mostraram que a vacina aumentou o tempo até a recorrência do melanoma, marcando um avanço significativo e inédito nessa área. Apesar da ausência de números detalhados sobre os benefícios para os pacientes, o anúncio impulsionou as ações da Moderna, que fecharam com um aumento de 177%.

A vacina em questão utiliza a mesma tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) que foi fundamental para o desenvolvimento da vacina contra a Covid-19, mas com uma abordagem distinta. Personalizada para cada paciente, ela ensina o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas, utilizando fragmentos específicos do tumor.

Se a estratégia se mostrar eficaz em outros tipos de câncer, as vacinas de mRNA têm potencial para se tornar um negócio altamente lucrativo. Medicamentos oncológicos convencionais podem custar centenas de milhares de dólares anualmente, o que torna essa inovação ainda mais atraente para investidores. "O câncer é, sem dúvida, a oportunidade mais importante no pipeline da Moderna", afirmou Tyler Van Buren, analista do banco TD Cowen.

O CEO da Moderna, Stéphane Bancel, comentou que a pesquisa com vacinas contra o câncer é parte de um esforço contínuo da empresa para assumir "grandes apostas científicas e clínicas". Embora o conceito de usar vacinas de mRNA no tratamento do câncer tenha fascinado cientistas por décadas, os avanços na área se intensificaram recentemente, impulsionados pelos investimentos feitos durante a pandemia.

Atualmente, existem mais de 60 vacinas contra o câncer baseadas em mRNA em desenvolvimento, com mais de 120 testes clínicos em andamento. Quatro grandes farmacêuticas estão na vanguarda dessa corrida, entre elas Moderna e Merck, que possuem uma parceria de longa data. Além do melanoma, as empresas também estão testando a vacina para câncer de pulmão, rim e bexiga.

A BioNTech, conhecida por sua vacina contra a Covid-19, colabora com a Genentech, uma unidade da Roche, no desenvolvimento de vacinas para cânceres de pâncreas e cólon. Resultados preliminares para o câncer pancreático geraram entusiasmo entre pesquisadores.

Historicamente, a estratégia de vacinas contra o câncer era considerada arriscada, devido à complexidade da produção e à falta de evidências sobre sua eficácia. Enquanto grandes empresas como Pfizer e Bristol Myers Squibb ainda não investem nessa área, a Moderna e a Merck seguem adiante.

A administração anterior dos EUA, sob o governo Trump, havia implementado mudanças nas políticas que impactaram negativamente o desenvolvimento de tecnologias de mRNA. No entanto, sinais de abertura para o uso dessas vacinas no tratamento do câncer começaram a surgir com a criação de parcerias público-privadas para financiar ensaios clínicos.

A Moderna, fundada em 2010 em Cambridge, Massachusetts, viu sua trajetória mudar radicalmente com a pandemia. Sua vacina contra a Covid-19 foi seu primeiro grande sucesso comercial, mas a falta de novos produtos para substituir essa receita levou a demissões e a interrupção de vários projetos.

Agora, com resultados promissores em mãos, a Moderna volta a ser o foco das atenções no setor de biotecnologia. Resta saber se os resultados positivos observados no melanoma poderão ser replicados em tumores mais desafiadores e se os dados completos confirmarão as expectativas. A divulgação de mais informações está prevista para um congresso médico em breve.

O sucesso desse estudo pode atrair novos investimentos para a tecnologia de mRNA, conforme prevê Van Buren. "Agora que esse teste foi bem-sucedido, espero ver um aumento no interesse de outras farmacêuticas", concluiu.

Fonte: Link original

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