O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, que foi excomungado pela Igreja Católica por sua filiação à Fraternidade Sacerdotal Pio X (FSSPX), publicou uma carta aberta aos católicos de Brasília criticando o alto clero brasileiro. Ele menciona ter sido advertido após denunciar a presença de rituais de macumba em igrejas católicas na Arquidiocese de Brasília e recorda casos de abusos sexuais cometidos por sacerdotes. A Arquidiocese, em resposta à carta, reafirmou sua posição, destacando que as ordenações episcopais realizadas pela FSSPX sem a autorização do papa resultaram em um decreto de cisma e excomunhão, tornando todos os atos ministeriais do padre Françoá ilícitos. Assim, os sacramentos que ele ministra, como confissão e matrimônio, são considerados nulos.
Françoá, que se considera parte da Fraternidade desde abril de 2025, argumenta que a excomunhão é inválida e continua a celebrar missas. Em sua carta de oito páginas, ele relata sua experiência de 22 anos como sacerdote, enfrentando conflitos com bispos e outros membros da Igreja para defender a fé católica. Em setembro de 2022, ele denunciou eventos de macumba em templos católicos, e embora um vídeo de sua denúncia tenha se tornado viral, ele recebeu ordens da arquidiocese para retirá-lo do ar, algo que ele fez na época por acreditar na obediência à hierarquia.
Françoá também menciona seu trabalho na Arquidiocese, onde foi escolhido como representante dos padres da Ceilândia, mas foi removido de sua paróquia em 2024 após apresentar uma tradução em latim de partes do Missal Romano. Ele compara sua situação com a de santos históricos como Santo Atanásio e Santa Joana D’Arc, que se opuseram à hierarquia de sua época e foram posteriormente reconhecidos como santos.
Na carta, o sacerdote expressa sua rejeição a várias diretrizes do Concílio Vaticano II, como a liberdade religiosa, o ecumenismo e a reforma da Missa, defendendo uma visão mais tradicional da Igreja. A excomunhão de Françoá é parte de um cisma mais amplo, com a Santa Sé considerando a FSSPX como cismática após a nomeação de bispos sem a aprovação do papa. Este é o primeiro cisma da Igreja em 38 anos, envolvendo a comunidade fundada por Marcel Lefebvre, que se opõe às mudanças implementadas desde o Concílio.
A FSSPX, que segue um modelo litúrgico tradicional, é influente em círculos conservadores e possui uma estrutura significativa, com bispos, sacerdotes e seminaristas de diversas nacionalidades. A Igreja orienta os fiéis a evitarem qualquer participação nas atividades da Fraternidade, sob pena de também serem considerados cismáticos e excomungados. O conflito entre o padre Françoá e a Arquidiocese reflete uma divisão mais profunda dentro da Igreja Católica sobre a interpretação e aplicação de suas doutrinas, especialmente em relação às mudanças trazidas pelo Concílio Vaticano II.
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