Polícia Federal Indicia 16 Pessoas por Queda de Avião da Voepass que Deixou 62 Mortos
A Polícia Federal (PF) anunciou nesta quinta-feira (6) o indiciamento de 16 pessoas em decorrência da queda de um avião da Voepass, que resultou na morte de 62 pessoas em 9 de agosto de 2024. Entre os indiciados estão o presidente da companhia, José Luiz Felicio Filho, e o ex-diretor de operações, Eric Cônsoli. A decisão foi tomada com base no relatório da perícia do acidente.
Responsabilidade e Consequências Legais
Dos 16 indiciados, 15 foram acusados com base no artigo 261 do Código Penal, que trata de atentados à segurança do transporte aéreo. A pena prevista pode chegar a 12 anos de reclusão. Este indiciamento representa uma fase importante da investigação policial, na qual a PF aponta evidências suficientes contra os suspeitos. O próximo passo é a avaliação do Ministério Público, que decidirá se apresentará uma denúncia criminal à Justiça.
Detalhes do Acidente
O voo da Voepass partiu de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto de Guarulhos (SP) e caiu em Vinhedo, interior de São Paulo. O relatório da perícia, com 200 páginas, analisou o gravador de dados de 136 voos realizados com o avião ATR 72-500. A investigação destacou falhas recorrentes no sistema de degelo da aeronave, que foram ignoradas pela tripulação.
Análises e Falhas Identificadas
As análises mostraram que, em voos anteriores à tragédia, houve tentativas de reiniciar o sistema de degelo, o que pode ter contribuído para a queda. Além disso, a perícia encontrou registros de uma válvula do sistema de degelo que havia sido retirada sem o devido registro de reinstalação. A equipe de peritos concluiu que a tripulação estava ciente das condições adversas e, mesmo assim, decidiu prosseguir com o voo.
Reações da Voepass
A Voepass foi procurada para comentar sobre o indiciamento, mas não respondeu até a publicação deste artigo. Em declarações anteriores, a empresa defendeu a experiência e a qualificação da tripulação do voo acidentado e afirmou que sempre adotou rigorosos procedimentos de segurança ao longo de seus 30 anos de operações.
Investigação Adicional
Um relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado em julho, indicou que o avião não deveria ter decolado, apontando 19 fatores que contribuíram para o acidente, incluindo falhas técnicas e uma cultura organizacional que priorizava a continuidade das operações em detrimento da segurança.
Este caso levanta importantes questões sobre a segurança na aviação e a responsabilidade das empresas aéreas em garantir a integridade de seus voos. A investigação continua, e novas informações devem surgir à medida que o Ministério Público analisa o material apresentado pela PF.
Fonte: Link original





























