Flávio Bolsonaro ataca Moraes por ação contra jornalista

Flávio critica Moraes por busca contra fonte de jornalista

O senador Flávio Bolsonaro expressou sua indignação em relação à decisão do ministro Alexandre de Moraes, que autorizou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, identificado como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais pelo ministro Flávio Dino. Em uma coletiva de imprensa em Brasília, Flávio defendeu a importância do sigilo da fonte jornalística, considerando-o “sagrado” e propondo uma mobilização coletiva da imprensa contra o que ele classificou como “abuso, ilegalidade e arbitrariedade”.

Flávio questionou a segurança das fontes jornalísticas se ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) puderem ordenar medidas como busca e apreensão. Ele argumentou que não há justificativa para uma ação desse tipo contra alguém que contribui para reportagens que denunciam irregularidades envolvendo figuras públicas, como o ministro Flávio Dino. A operação contra Cutrim foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República antes de ser autorizada por Moraes, que está conduzindo a investigação. Cutrim teria fornecido informações sobre o uso de veículos oficiais por Dino, e sua identificação como fonte ocorreu após a extração de mensagens do celular do jornalista Luís Pablo, alvo de uma busca e apreensão anterior.

O advogado de Cutrim, José Berilo de Freitas Leite, ressaltou que o sigilo da fonte é garantido pela Constituição e expressou preocupação com a exposição de Cutrim. Ele criticou a decisão de Moraes, considerando-a um precedente perigoso que ameaça o direito à liberdade de imprensa e à preservação da identidade das fontes. Berilo questionou a imparcialidade de Flávio Dino, que investiga Cutrim enquanto também é mencionado nas reportagens.

Entidades do setor de comunicação, como a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), emitiram uma nota conjunta expressando preocupação com a decisão de Moraes, afirmando que ações que violam o sigilo da fonte não têm amparo constitucional e podem intimidar a imprensa. Elas ressaltaram que quaisquer questionamentos a reportagens devem ser tratados dentro das normas legais, que garantem o direito de resposta e compensações, e alertaram para os riscos que tal decisão representa para a liberdade de expressão e o exercício do jornalismo.

Especialistas em liberdade de expressão também expressaram preocupações. André Marsiglia comentou que a decisão de Moraes pode criar um clima de medo para fontes que desejam informar sobre irregularidades cometidas por autoridades, enquanto Adriano Soares da Costa criticou a utilização de busca e apreensão como um meio de “pesca probatória” contra o jornalismo.

Em relação a Flávio Dino, ele nega qualquer uso irregular de veículos oficiais e afirma ser alvo de monitoramento ilegal. O STF e Moraes não se pronunciaram sobre as críticas feitas por Cutrim, entidades da imprensa, e opositores políticos. O caso destaca um tenso conflito entre a liberdade de imprensa e ações judiciais, levantando questões sobre a proteção das fontes e a imparcialidade nas investigações.

Fonte: Link original

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