Copom reduz taxa de juros, mas fundos imobiliários continuam atraentes
O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a redução da taxa Selic para 14% ao ano, um movimento que, apesar de significativo, mantém os juros em patamares elevados, resultando em um juro real de quase 9% ao ano. Em meio a esse cenário, diversos fundos imobiliários têm se destacado ao oferecer rendimentos superiores à nova taxa básica.
Uma análise realizada pelo InfoMoney, com dados da Economática, revelou que 8 dos 34 fundos imobiliários com patrimônio superior a R$ 1 bilhão e sem perdas em suas cotas no ano apresentaram um retorno nominal em dividendos superior aos 14% da Selic. Quando se considera a isenção de imposto de renda dos fundos imobiliários, a situação se torna ainda mais favorável: ao descontar a alíquota de 15% sobre os ganhos, o número de fundos que supera a Selic sobe para 20.
Rendimentos atraentes em tempos desafiadores
Os dados mostram que a rentabilidade em dividendos de alguns fundos imobiliários está bastante competitiva. Entre eles, o Valora CRI e o Mauá Capital Real Estate se destacam, com dividend yields de 15,98% e 15,58%, respectivamente. Outros fundos, como o Iridium FI Imob e o Capitania Securities II, também apresentam retornos significativos, variando entre 15,21% e 14,67%.
O especialista Marx Gonçalves, da XP Investimentos, afirma que muitos desses fundos estão oferecendo rendimentos próximos do CDI descontado o imposto, o que é um indicativo positivo para os investidores. Ele cita exemplos de fundos de tijolos, como o Vinci Logística e o XP Logística, que estão apresentando ganhos próximos a 95% do CDI líquido.
Desafios e oportunidades no mercado imobiliário
Apesar de muitos fundos apresentarem bons resultados, Gonçalves alerta que as cotas estão desvalorizadas devido à pressão causada pela alta dos juros de títulos públicos, que já dura três meses. O índice IFIX, que representa os fundos imobiliários na B3, acumula uma queda de 0,4% até o início de agosto. No entanto, a desvalorização das cotas pode aumentar o retorno em dividendos, tornando essa uma oportunidade interessante para os investidores.
Matheus Jaconeli, analista da ZIIN DTVM, destaca que o corte de juros já estava precificado pelo mercado, não impactando significativamente os fundos imobiliários no curto prazo. Ele prevê apenas uma redução modesta da Selic para 13,75% nos próximos meses, mantendo o juro real elevado. Mesmo assim, existem fundos high yield que oferecem rendimentos acima da Selic, especialmente aqueles que investem em papéis de maior risco.
Importância da análise de qualidade e governança
Gonçalves ressalta que, embora o retorno em dividendos seja relevante, outros fatores, como a qualidade da gestão do fundo e a governança, são cruciais. Investidores devem avaliar a composição da carteira, a qualidade dos ativos e a localização dos imóveis, especialmente em segmentos que podem enfrentar riscos, como shoppings e galpões logísticos.
Em suma, o cenário atual apresenta desafios para os fundos imobiliários, mas também oferece oportunidades para aqueles que buscam rendimentos consistentes. A análise cuidadosa e a compreensão do mercado são essenciais para o sucesso dos investimentos nessa classe de ativos.
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