Irã exige concessões dos EUA para reabrir Estreito de Ormuz

Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz a concessões dos EUA

O Irã está em fase avançada de negociações com Omã para estabelecer novas rotas de navegação através do Estreito de Ormuz, uma passagem crucial para o transporte de petróleo e gás. No entanto, Teerã enfatiza que a reabertura desta via depende de certas condições que os Estados Unidos devem atender, incluindo pagamentos de compensações, o fim das sanções e a cessação de ameaças militares. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que o acordo com Omã está em “estágios finais”, mas reiterou que a passagem não será reaberta sem que os EUA cumpram as exigências do Irã.

Os Estados Unidos e o Irã não estão negociando diretamente. Araghchi mencionou que as comunicações ocorrem por meio de intermediários, e que a retomada das conversas diretas só será possível após os EUA cumprirem um acordo provisório firmado em junho. O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou que o país está “mantendo um perfil discreto” em relação ao Irã, enquanto observa a situação econômica do país, que enfrenta alta inflação e dificuldades financeiras.

As exigências do Irã para a reabertura do estreito incluem compensações pelos danos resultantes de ataques contra o país, o fim de novas ameaças dos EUA, a interrupção de agressões à região e a retirada do bloqueio naval americano no Golfo. Os EUA e Israel têm realizado ataques aéreos contra o Irã nos últimos meses, com o objetivo declarado de impedir o desenvolvimento de armas nucleares e reduzir a influência iraniana na região.

Embora um cessar-fogo tenha sido acordado em junho, a situação se complicou quando os EUA restabeleceram um bloqueio à navegação iraniana em julho, o que o Irã considera uma violação da trégua. Um funcionário americano indicou que, uma vez que um acordo para a navegação segura seja alcançado, os EUA suspenderiam o bloqueio aos portos iranianos, mas isso estaria condicionado ao cumprimento das obrigações por parte do Irã.

O controle do tráfego de embarcações no Golfo, conforme sugerido nas negociações, é visto como uma tarefa difícil de implementar, segundo fontes do setor. Além disso, o Irã tem sido acusado de atacar navios no estreito, incluindo um incidente recente envolvendo um navio ligado à estatal petrolífera dos Emirados Árabes Unidos, embora não tenha havido uma resposta imediata de Teerã.

Os ataques iranianos no Estreito de Ormuz coincidem com um aumento das ações dos houthis, um grupo rebelde no Iémen que também tem atacado embarcações em áreas estratégicas, como o Mar Vermelho. Os houthis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita em resposta a um cerco que alegam estar sendo imposto por Riad. Recentemente, eles atacaram a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco, provocando um incêndio que foi controlado sem vítimas.

A crescente instabilidade na região levou a Arábia Saudita a assinar um pacto de defesa com Turquia e Paquistão, enquanto as tensões entre os houthis e as forças governamentais do Iémen continuam a aumentar, com recentes combates resultando em mortes. A nova aliança da Arábia Saudita é apresentada como um compromisso de segurança, sem direcionamento específico contra o Irã ou outros países.

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