Pernambuco reativa monitoramento de tubarões após ataques recentes

Pernambuco reativa monitoramento de tubarões após ataques recentes

Pernambuco Retoma Monitoramento de Tubarões Após Sequência de Ataques

Após uma série de ataques de tubarões em Pernambuco, o estado anunciou a reativação do monitoramento desses animais em suas praias, interrompido há mais de dez anos. O projeto, que será coordenado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), contempla a captura e a marcação de tubarões para acompanhar seus movimentos por meio de telemetria acústica.

A expectativa inicial do governo era de que as atividades começassem em junho, mas, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha, as operações de campo estão programadas para ocorrer entre o final de julho e o início de agosto. No entanto, a data exata ainda está sujeita à conclusão dos preparativos necessários.

A doutora em oceanografia biológica Danielle Viana, que participou do monitoramento anterior e elaborou a proposta do novo projeto, comentou sobre a necessidade de segurança na captura dos tubarões. "Ainda não temos uma data definida para a primeira saída de campo. Acredito que pode acontecer entre 10 e 20 de agosto, mas isso depende de ajustes no barco para garantir a segurança durante a operação", explicou.

O monitoramento se dará por meio de transmissores acústicos que serão implantados nos tubarões, juntamente com hidrofones instalados em pontos estratégicos ao longo da costa. Esses transmissores emitem sinais em intervalos regulares, que são captados pelos hidrofones assim que o animal se aproxima. Os dados coletados serão posteriormente analisados pela equipe de pesquisa.

Danielle esclareceu que o sistema não permite o monitoramento em tempo real. "Para isso, seria necessária uma estrutura de superfície que transmitisse os dados dos receptores submersos. Um sistema similar utilizado na Austrália requer boias que custam em torno de R$ 100 mil, e atualmente não há orçamento para isso", afirmou.

Embora a nova iniciativa tenha um investimento de aproximadamente R$ 1 milhão e duração prevista de 24 meses, a pesquisadora destacou que esse valor é inferior ao do monitoramento anterior, que recebia cerca de R$ 1 milhão por ano. O programa anterior, chamado Protuba, foi interrompido em 2014 e coordenado pelo falecido professor Fábio Hazin.

A reativação do monitoramento ocorre em um ano marcado por incidentes preocupantes. Em maio de 2026, um menino de 11 anos foi atacado na praia de Piedade e precisou amputar a perna esquerda. No mês seguinte, uma jovem de 19 anos sofreu um ataque na praia de Boa Viagem, também resultando em amputação. Com quatro ocorrências registradas até maio, 2026 igualou os totais de 1998 e 2006, tornando-se o ano com mais casos desde então.

O governo de Pernambuco informou que, entre 2023 e 2026, foram investidos cerca de R$ 5,5 milhões em ações de educação ambiental, pesquisa e monitoramento de incidentes envolvendo tubarões no litoral e em Fernando de Noronha. Vale ressaltar que as atividades no arquipélago não foram interrompidas durante esse período.

Fonte: Link original

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