Alpinista é condenado na Áustria pela morte da namorada durante escalada
Um tribunal austríaco decidiu nesta quinta-feira (19/02) pela condenação de um alpinista pela morte de sua namorada, que faleceu por hipotermia durante uma escalada em janeiro de 2025. O homem, identificado como Thomas P., de 37 anos, foi sentenciado a cinco meses de prisão por homicídio culposo por negligência grave, devido a uma série de falhas que culminaram na tragédia.
Segundo a promotoria, Thomas deixou sua parceira, de 33 anos, em uma situação vulnerável e perigosa, alegando que precisava buscar ajuda quando ela não conseguiu seguir adiante na trilha. O tribunal determinou que o alpinista não tomou as precauções necessárias, deixando a mulher "indefesa, exausta, hipotérmica e desorientada". Além da pena de prisão, ele foi multado em 9.400 euros (aproximadamente R$ 57,6 mil), embora a execução da pena tenha sido suspensa, permitindo que o réu recorra da decisão.
Durante o julgamento, Thomas expressou seu arrependimento, mas manteve sua inocência. A acusação destacou que, como o alpinista mais experiente do casal, ele deveria ter elaborado um plano adequado e levado os equipamentos necessários para a escalada, o que não ocorreu. O juiz Norbert Hofer, também um montanhista experiente, sublinhou que Thomas não considerou a inexperiência da namorada em escaladas de inverno. Ele disse: "Ela continuou até a morte", referindo-se à insistência de Thomas em prosseguir.
Erro crítico nas decisões de resgate
O fatídico dia da escalada se deu no Grossglockner, a montanha mais alta da Áustria. Ao final da jornada, a mulher estava exausta e incapaz de continuar. Thomas a deixou em um ponto a cerca de 3.798 metros de altitude, em uma noite extremamente fria, sem envolvê-la em um cobertor de emergência que estava na mochila dela. Ele alegou que a situação foi "particularmente estressante" e não conseguiu justificar sua decisão de não utilizar o equipamento.
A ligação tardia para os serviços de resgate também foi um fator determinante na sentença. De acordo com a polícia, Thomas não comunicou claramente a necessidade de ajuda, e sua falta de resposta a chamadas de retorno complicou ainda mais a situação. O réu afirmou que seu telefone estava em modo avião para economizar bateria.
Testemunhos e debates sobre responsabilidade
Durante o julgamento, uma ex-namorada de Thomas testemunhou sobre uma experiência anterior em que ele a deixou sozinha durante uma escalada, o que levantou questões sobre sua capacidade de avaliar as condições de segurança em montanhas. O juiz observou que Thomas falhou em perceber que sua namorada não tinha o mesmo nível de habilidade que ele e que ele deveria ter reconhecido isso antes.
Em sua defesa, Thomas argumentou que a namorada era uma alpinista entusiástica e que as decisões eram tomadas em conjunto. No entanto, especialistas em montanhismo que prestaram depoimento destacaram erros significativos nas habilidades de comunicação de Thomas com as equipes de resgate e na sua técnica de manuseio de cordas.
Esse caso inusitado reacendeu o debate sobre a responsabilidade legal em situações de escalada, que, por sua natureza, envolvem riscos altos. Dados do Conselho Austríaco de Segurança Alpina indicam que cerca de 8.400 acidentes ocorrem anualmente nas montanhas do país, resultando em quase 300 mortes, embora fatalidades por hipotermia sejam relativamente raras.
A sociedade agora se questiona: até onde vai a responsabilidade legal em atividades que envolvem riscos inerentes? O veredito deste caso pode trazer mudanças nas discussões sobre segurança e regulamentação nas práticas de montanhismo na Áustria.
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