Renan Santos, pré-candidato à presidência pelo partido Missão, esteve envolvido em um grupo no Instagram chamado Cannipapo, que promoveu a discussão de autores de extrema-direita, a realização de concursos envolvendo “novinhas” e o uso de substâncias entorpecentes. O conteúdo das mensagens trocadas no grupo, acessado pelo Metrópoles, faz parte de uma denúncia ao Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPFDF) feita por Ian Bartholo Lukas Coelho, um estudante de ciência política. Renan confirmou a autenticidade das mensagens e justificou suas participações.
Renan foi adicionado ao Cannipapo sem seu conhecimento em setembro de 2024 e, ao descobrir do que se tratava, demonstrou interesse em saber se os membros conheciam autores ligados à extrema-direita, incluindo um que se identifica como fascista. Após um período de silêncio, ele retornou ao grupo compartilhando sua experiência com o uso de cogumelos alucinógenos, especificamente o “Cogumelo Mágico”, que é ilegal no Brasil, exceto para pesquisa científica. Essa contradição se torna evidente, pois Renan é um defensor do combate ao tráfico de drogas, tendo até prometido que facções criminosas, como o Comando Vermelho, “vão virar cinzas” se ele for eleito.
Ao ser confrontado sobre seu uso de substâncias, Renan inicialmente alegou não saber a origem dos produtos, afirmando que nunca havia comprado drogas, mas sim recebido. Após ser questionado sobre as mensagens em que admitiu o consumo de cogumelos, ele alterou sua narrativa, mencionando que poderia ter feito uso para fins criativos, mas negou ser um usuário habitual. Ele defendeu que seu uso não financiava o tráfico internacional e que era uma experiência isolada.
O grupo Cannipapo continha 17 membros e tinha uma imagem que representava um personagem com um barrete frígio, associado a ideais de extrema-direita. Renan, embora tenha se mostrado interessado em autores como Bronze Age Pervert (BAP) e Jason Jordani, que defendem ideais controversos e racistas, declarou não concordar com muitos de seus posicionamentos. Ele também fez comentários sobre a presença de gays e judeus na política, revelando uma visão negativa sobre a lealdade entre gays e expressando sua opinião sobre relacionamentos inter-raciais, o que gerou polêmica.
Durante discussões sobre mulheres, Renan participou de uma votação sobre preferências físicas, revelando uma visão objetificante. Ele se defendeu, afirmando que aprecia mulheres e não vê problema em se relacionar com aquelas mais jovens. Renan ainda contrastou comportamentos entre homens e mulheres em ambientes políticos, sugerindo que a lealdade seria mais forte entre homens heterossexuais.
As mensagens revelam um lado contraditório do pré-candidato, que se posiciona contra o tráfico de drogas enquanto admite o uso de substâncias ilícitas. Seu envolvimento em um grupo que discute temas de extrema-direita e faz comentários depreciativos sobre minorias e relacionamentos inter-raciais suscita preocupações sobre suas credenciais e valores como líder político. O conteúdo das conversas no grupo e suas repercussões poderão impactar sua campanha e a percepção pública sobre sua candidatura.
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