A Ordem Internacional Baseada em Regras: Um Conceito em Crise?
Recentes declarações de líderes globais, como o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, levantam questionamentos sobre a viabilidade da ordem internacional baseada em regras. Enquanto Rubio considera o termo "usado em excesso", Merz acredita que essa ordem "não existe mais". Apesar do ceticismo de algumas figuras proeminentes, o debate sobre o futuro desta estrutura geopolítica continua a ganhar destaque.
O conceito de ordem internacional baseada em regras se refere a um sistema de leis, acordos e instituições multilaterais, criado para regular as relações entre os Estados sob princípios liberais. O professor Stefan Wolff, do think tank Foreign Policy Centre, explica que esse termo é uma evolução da antiga ordem internacional liberal, estabelecida sob a liderança dos EUA após a Segunda Guerra Mundial. As instituições, como a ONU e as diretrizes de Bretton Woods, foram pilares desse sistema, que garantiu a conversibilidade das moedas e a estabilidade econômica mundial.
Entretanto, com o aumento das guerras tarifárias e a crescente desconfiança em relação à ONU, os fundamentos desse sistema estão sendo desafiados como nunca antes. Em um discurso na Conferência de Segurança de Munique, Rubio destacou que, embora a ONU tenha "um tremendo potencial", ela falhou em lidar com as questões mais urgentes do momento.
Além disso, os EUA têm buscado criar novas estruturas globais, como o Conselho de Paz, que se distanciam da tradicional ordem de regras. Essa abordagem, no entanto, não conta com a aceitação universal, especialmente por países como Irã e Rússia, que operam sob normas diferentes. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, comentou que a ordem baseada em regras é, na verdade, uma forma de governar a América.
Mas será que a era da ordem baseada em regras está chegando ao fim? As declarações de Merz e Carney sugerem que sim. O segundo mandato de Donald Trump foi marcado pela retirada dos EUA de várias organizações internacionais, afetando acordos fundamentais sobre clima, saúde e comércio. Com as tensões nas relações entre os EUA e a Europa, Wolff observa que a saúde dessa ordem está comprometida.
O questionamento sobre o que virá em seguida é inevitável. Wolff acredita que, se as tendências atuais persistirem, o mundo pode enfrentar uma nova ordem menos liberal e mais propensa a conflitos. Essa transição pode levar a uma estrutura geopolítica que não atende às necessidades de grupos marginalizados e vulneráveis.
Em suma, o futuro da ordem internacional baseada em regras é incerto. O que antes poderia ter sido reformado agora enfrenta o risco de colapso, e as consequências podem ser sentidas em todo o mundo. A Rússia, que parece ter desencadeado essa crise, pode se tornar a maior perdedora, resultando em um cenário global com uma Europa mais assertiva e uma China mais dominante. A questão que permanece é: o que essa nova configuração significará para o equilíbrio de poder mundial?
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