Na tarde de quinta-feira (9), indígenas de várias etnias e regiões do Brasil realizaram uma marcha em Brasília, organizada pelo Acampamento Terra Livre (ATL), com o lema “Demarca, Lula! Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”. O ATL, que começou no dia 5 de outubro, reúne comunidades indígenas para reivindicar direitos históricos, como a demarcação de terras, proteção ambiental e garantias sociais. Durante o evento, a Articulação de Povos Indígenas do Brasil (Apib) entregou uma carta de reivindicações ao governo, apontando a histórica luta dos povos indígenas por reconhecimento e direitos desde a invasão portuguesa.
A demarcação de Terras Indígenas (TIs) foi o foco central da manifestação, considerada vital para a proteção cultural, ambiental e social das comunidades. Lilian Eloy, do povo Terena e coordenadora de mulheres pela Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste, enfatizou a importância da garantia territorial para a sobrevivência das comunidades, ressaltando que muitos territórios ainda estão sem reconhecimento oficial. Ela destacou situações de conflitos no interior de São Paulo, onde a falta de demarcação prejudica direitos fundamentais, como educação e saúde.
Eladio Tupayu, do Território Encantado, Baixo Tapajós, relatou a luta de 13 anos por reconhecimento de seu território, ameaçado por um decreto que visava privatizar rios na Amazônia. Cacique José Maria, do povo Xavante, alertou sobre a vulnerabilidade das terras indígenas frente a grandes projetos de exploração, como hidrelétricas e ferrovias, que afetam a biodiversidade do Cerrado. Ele afirmou que a resistência indígena é uma luta por dignidade e respeito, ressaltando que os Xavantes estão prontos para defender suas terras.
A marcha também abordou questões ambientais e climáticas, com propostas de integração entre proteção territorial e políticas de transição energética. As lideranças indígenas sugeriram a criação de “Zonas Livres de Combustíveis Fósseis”, onde a exploração de petróleo e gás seria proibida, posicionando os territórios indígenas como cruciais para a proteção climática.
Os participantes da marcha enfatizaram a necessidade de um diálogo direto com o governo federal. Eladio Tupayu expressou frustração com a falta de comunicação efetiva, afirmando que os indígenas buscam ser ouvidos e que o Estado ainda não atende plenamente suas demandas. A carta entregue ao governo reforçou o compromisso do movimento indígena em influenciar políticas públicas, destacando que, embora tenha havido avanços, ainda há uma desconexão entre promessas e a realidade enfrentada pelas comunidades.
A Apib reconheceu melhorias nas políticas públicas sob o atual governo, mas insistiu que as ações ainda não atendem à urgência histórica das reivindicações indígenas. O documento pede uma atuação mais firme do Estado para conter a violência e as violações de direitos nos territórios indígenas, enfatizando que a demarcação de terras deve ser uma prioridade estratégica nas políticas climáticas e ambientais do Brasil. A mobilização indígena continua, buscando garantir o cumprimento dos direitos constitucionais e a proteção de suas terras e culturas.
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