A Crise da Ordem Internacional Baseada em Regras: Um Debate Global em Curso
A ordem internacional baseada em regras, um conceito que moldou a geopolítica desde o fim da Segunda Guerra Mundial, enfrenta desafios sem precedentes. Figuras influentes, como o senador americano Marco Rubio e o chanceler federal alemão Friedrich Merz, expressam ceticismo sobre sua relevância, com Merz afirmando que essa ordem "não existe mais". No entanto, a discussão sobre o futuro desse sistema continua a ser um tema central no cenário global.
Em um discurso marcante em janeiro, o ex-primeiro-ministro canadense Mark Carney abordou diretamente a questão. Ele destacou que a narrativa da ordem internacional baseada em regras é "parcialmente falsa", evidenciando que as potências frequentemente desconsideram as regras quando isso lhes convém. Carney alertou: "Parem de invocar a ordem internacional baseada em regras como se ela ainda funcionasse conforme o anunciado."
O Que É a Ordem Internacional Baseada em Regras?
Esse termo refere-se a um sistema de leis e instituições multilaterais que visa regular as relações entre os Estados. De acordo com o professor Stefan Wolff, do think tank Foreign Policy Centre, a expressão substitui o que antes era denominado ordem internacional liberal, um sistema estruturado sob a liderança dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, com a ONU e as instituições de Bretton Woods como pilares.
O sistema de Bretton Woods estabeleceu regras financeiras que garantiam a conversibilidade das moedas em dólares americanos, além de assegurar que o dólar fosse conversível em ouro para instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Desafios e Críticas à Ordem Atual
Recentes guerras tarifárias e a crescente irrelevância da ONU têm colocado em xeque a eficácia da ordem internacional. Durante a Conferência de Segurança de Munique, Rubio reconheceu o potencial da ONU, mas imediatamente ressaltou sua ineficácia em questões prementes.
Além disso, os EUA têm buscado criar novas estruturas globais, como o Conselho de Paz, liderado por Donald Trump. No entanto, essa ordem nunca foi plenamente aceita por países como Irã e Rússia, que adotam convenções divergentes. O ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov, enfatizou que a ordem baseada em regras é essencialmente uma ferramenta de controle dos EUA.
Um Sistema em Transição
A era da ordem baseada em regras parece estar em seus últimos suspiros. A administração Trump afastou os EUA de várias organizações internacionais e acordos importantes, como os de clima e saúde. Wolff observa que a atual política externa dos EUA e o aumento das tensões nas relações transatlânticas dificultam a afirmação da saúde desse sistema.
"Sem dúvida, a ordem foi profundamente prejudicada, especialmente pelas ações da Rússia sob Putin e dos EUA sob Trump", afirma Wolff, que também aponta que a Rússia pode ser a maior perdedora desse colapso.
O Futuro da Geopolítica Global
A grande questão que se coloca agora é: o que substituirá a ordem internacional baseada em regras? Wolff acredita que estamos em um momento de transição, onde a nova estrutura geopolítica pode ser menos liberal e mais propensa a conflitos. Ele alerta que um novo sistema pode não ser uma melhoria em relação ao atual.
"Ao final, a desintegração da ordem existente será lamentada, mesmo por aqueles que agora a criticam. A transição para um novo sistema será longa e custosa", conclui o especialista.
À medida que o mundo observa essa reconfiguração, a necessidade de um novo conjunto de regras que atenda às demandas de um cenário global em transformação se torna cada vez mais urgente. A discussão sobre como isso se desenrolará continua a ser vital para entender o futuro da diplomacia e das relações internacionais.
Fonte: Link original



































