O crescimento da população idosa no Brasil é um fenômeno positivo, resultado dos avanços na medicina e na ciência, que elevou a expectativa de vida para 76,4 anos, comparada a 71 anos no início do século. O IBGE projeta que, em 2025, haverá cerca de 22 milhões de pessoas com mais de 65 anos, representando 11% da população total. Este aumento, com uma taxa de crescimento anual de 4,8%, coloca o Brasil na quinta posição mundial em número de idosos até 2030. No entanto, essa situação traz desafios significativos para os sistemas de saúde e previdência, especialmente porque a população em idade ativa (15 a 64 anos) está diminuindo em sua participação total.
Em 2025, essa faixa etária deve corresponder a 63% da população, mas essa porcentagem está em queda, atualmente cerca de 1% ao ano. A principal razão para essa redução é a baixa fecundidade, que se encontra em 1,55 filhos por mulher. Experiências de outros países com demografia semelhante, como o Japão, mostram que um envelhecimento acelerado pode levar a problemas econômicos. O Japão, que teve um crescimento robusto até o século XXI, viu sua renda per capita e PIB estagnarem após o aumento significativo na população idosa, que hoje representa 30% do total.
O Brasil, por sua vez, está prestes a enfrentar o fim do bônus demográfico, um período em que o número de jovens que trabalham supera o de idosos dependentes. Diferente do Japão, que se preparou financeiramente para essa transição, o Brasil não conseguiu enriquecer nem aumentar sua produtividade. Isso cria uma situação fiscal delicada, que demanda urgentemente um novo sistema previdenciário e melhorias significativas no Sistema Único de Saúde (SUS). A falta de uma boa situação fiscal é preocupante, pois investidores internacionais monitoram de perto esses indicadores demográficos, que geralmente estão associados a uma diminuição na produtividade e, consequentemente, na atratividade do país para investimentos.
O Brasil enfrenta o desafio de envelhecer sem ter previamente alcançado um desenvolvimento econômico robusto, como ocorreu no Japão. Além disso, o país ainda luta com problemas educacionais e de infraestrutura que afetam diretamente sua produtividade. A cultura de planejamento no Brasil é fraca, e as decisões tendem a ser focadas no curto prazo. A procrastinação em ajustes necessários pode acentuar os efeitos negativos do ônus demográfico.
Diante desse cenário, seria crucial que os candidatos à presidência abordassem suas estratégias para lidar com as implicações do envelhecimento populacional nas próximas eleições. O reconhecimento e a preparação para essas mudanças demográficas são essenciais para garantir um futuro mais sustentável e próspero para o Brasil. As soluções precisam ser pensadas e implementadas com urgência, para que o país não enfrente crises adicionais em um futuro já desafiador.
Fonte: Link original




























