Parque do Albardão: Conservação e Inovação no Litoral Sul do RS

Concheiros no Parque do Albardao, no sul do Rio Grande do Sul

A criação do Parque Nacional Marinho do Albardão, em março de 2026, marca um importante passo na conservação marinha no Brasil, consolidando a proteção de 1,6 milhão de hectares no litoral sul do Rio Grande do Sul, nos municípios de Santa Vitória do Palmar, Chuí e Rio Grande. Essa unidade de conservação, a maior do país, abrange uma Área de Proteção Ambiental (APA) e é vital para a proteção de ecossistemas costeiros e marinhos, funcionando como habitat para diversas espécies ameaçadas de extinção, como a toninha, tartarugas marinhas e várias aves migratórias.

A gestão do parque será realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e visa proteger áreas de alimentação e reprodução de espécies marinhas. Além disso, cerca de 56 mil hectares da área são destinados à pesca artesanal, que se propõe a conciliar a conservação com as atividades pesqueiras. O local também apresenta potencial para o ecoturismo, aproveitando os cerca de 250 quilômetros de praias.

O processo de criação do parque teve início em 2004, sendo formalizado em 2008 com o apoio de universidades e ONGs. Estudos entre 2017 e 2019 fundamentaram as discussões, culminando em consultas públicas em 2024 e a formação de um grupo de trabalho pelo ICMBio para abordar as preocupações locais. A configuração final do parque foi decidida em 2026.

Entretanto, a criação do Albardão gerou controvérsias. Pescadores locais afirmam que o processo não considerou adequadamente seus modos de vida e territórios tradicionais. Eles argumentam que, embora a APA busque equilibrar conservação e pesca, o parque de proteção integral pode limitar suas atividades. Além disso, empresas do setor de energia eólica alegam que a delimitação do parque inviabiliza projetos em fase de licenciamento na Bacia de Pelotas, levantando um conflito entre a transição para energias limpas e a preservação do meio ambiente. A região também é vista como uma nova fronteira para exploração de petróleo, e a criação do parque impõe restrições severas a atividades de perfuração.

Para ambientalistas e instituições como a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), a criação do parque representa uma vitória histórica. A Universidade Federal de Rio Grande (Furg) teve papel fundamental no processo, com seus pesquisadores contribuindo com estudos sobre a importância biológica da região e atuando como mediadores nas discussões entre conservação e desenvolvimento econômico.

O professor aposentado Antônio Libório Philomena enfatiza a necessidade de mais áreas de proteção no Rio Grande do Sul, como a Lagoa Mirim, para completar o sistema de proteção ambiental da região. Ele destaca a singularidade do Albardão e sua importância como um ecossistema típico, que abriga fenômenos naturais distintos, como a movimentação das dunas e a formação de concheiros.

Por fim, a Agapan publicou um manifesto apoiando a criação do parque, ressaltando a importância da conservação para a biodiversidade e a mitigação das mudanças climáticas, defendendo que a proteção ambiental deve coexistir com atividades econômicas, garantindo um futuro sustentável para a região e suas comunidades.

Fonte: Link original

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