Governo Federal Atualiza Lista de Empregadores Envolvidos em Trabalho Escravo e Inclui Transportadora em Minas Gerais
Na última segunda-feira (6), o governo federal atualizou a lista de empregadores associados a práticas de trabalho escravo, incluindo a empresa Cidade das Águas Transportes. O caso, que ganhou destaque em abril de 2025, revelou a situação alarmante de 22 motoristas que enfrentaram condições análogas à escravidão enquanto trabalhavam para o Grupo Zema em Araxá, Minas Gerais.
A inclusão da transportadora na lista suja do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) destaca um episódio que afeta diretamente a holding da família do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Os motoristas eram responsáveis pelo transporte de móveis e eletrodomésticos para as lojas do grupo, e a fiscalização constatou jornadas exaustivas que chegavam a 19 horas diárias.
A denúncia foi acompanhada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que anunciou ações para monitorar o caso. A operação, realizada em 4 de fevereiro deste ano, envolveu auditores fiscais do trabalho, procuradores do Ministério Público do Trabalho e policiais rodoviários federais, que encontraram evidências claras da exploração trabalhista.
Os registros encontrados, incluindo planilhas e roteiros de transporte, mostraram que os motoristas não tinham direito ao mínimo de 11 horas de descanso dentro do período de 24 horas e que não havia um intervalo adequado para refeições. Em depoimentos, um dos motoristas relatou cumprir jornadas de até 16 horas por dia, chegando a trabalhar 26 horas seguidas em algumas ocasiões. Ele também mencionou que almoçava dentro do caminhão e frequentemente dormia no veículo.
A investigação revelou que os motoristas operavam exclusivamente para a Eletrozema, com rotas definidas a partir do centro de distribuição do Grupo Zema. O controle rigoroso sobre as operações, com registros detalhados de horários e lacres, evidenciou que as jornadas excessivas eram parte de um sistema de abastecimento das lojas do grupo.
Após a divulgação das irregularidades, a deputada estadual Bella Gonçalves (Psol-MG), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, anunciou que a comissão realizaria oitivas e acompanharia o andamento das investigações.
Atualização da Lista Suja
A recente atualização da lista suja incluiu 169 empregadores, um aumento de 6,28% em relação à versão anterior. Dentre os novos registros, 102 são pessoas físicas e 67, empresas. Os casos abrangem o período de 2020 a 2025 e estão distribuídos por 21 estados do Brasil. Minas Gerais lidera o número de inclusões, com 35 registros, seguido por São Paulo (20), Bahia e Paraíba (17 cada) e Pernambuco (13).
As atividades econômicas mais afetadas incluem serviços domésticos, criação de bovinos para corte, cultivo de café e construção civil.
Resposta das Empresas
Procurado para comentar sobre a atualização da lista, o Grupo Zema não respondeu até o fechamento desta matéria. A Cidade das Águas Transportes também não foi contatada. Quando o caso foi inicialmente revelado, a transportadora alegou que não teve a oportunidade de se defender adequadamente durante a fiscalização e contestou as interpretações feitas pelos auditores. O ex-governador Romeu Zema também foi contatado, mas não se manifestou até o momento.
Esse episódio ressalta a importância de um monitoramento contínuo das condições de trabalho no Brasil e a necessidade de ações efetivas para combater a exploração laboral.
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