O episódio envolvendo o atacante Memphis Depay, do Corinthians, durante um jogo contra o Flamengo gerou discussões sobre as normas de comportamento no futebol brasileiro, especialmente em relação ao uso de celulares no banco de reservas. Flagrado mexendo no telefone, Depay misturou tédio e modernidade, resultando em uma situação que foi parar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Inicialmente, havia a possibilidade de uma multa simbólica de mil reais, valor que não seria significativo para um jogador de alto nível. No entanto, a punição se transformou em uma simples advertência, que não afetou financeiramente o atleta nem teve consequências severas.
Essa advertência levanta questões sobre a eficácia das regras no futebol. O sinal dado pelo tribunal é ambíguo: embora a utilização de celulares seja oficialmente proibida, a falta de uma punição rigorosa sugere que a infração não é levada a sério. Tal situação pode criar um precedente perigoso, onde o banco de reservas se torna um espaço cada vez mais informal, semelhante ao conforto do lar. Se hoje é Depay checando algo no celular, amanhã pode ser outro jogador respondendo mensagens ou assistindo a outros jogos.
O regulamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) permanece claro ao proibir o uso de celulares, e os clubes devem, em teoria, controlar o que acontece em seus bancos. Contudo, a prática frequentemente se distancia da teoria quando a punição não é aplicada de forma rigorosa. Assim, o futebol brasileiro parece estar preso em um ciclo de normas que existem, mas não são efetivamente cumpridas. O resultado é uma zona de conforto onde nada realmente muda, e tanto os jogadores quanto as autoridades parecem aceitar essa realidade sem um verdadeiro comprometimento.
Essa situação reflete um problema maior no futebol brasileiro: a dificuldade de se impor regras de forma consistente. A advertência recebida por Depay não apenas minimiza a infração em questão, mas também pode incentivar uma cultura onde a desobediência se torna mais comum, desde que não seja visível ou amplamente criticada. O jogador pode ter agido de maneira imprudente, mas a resposta institucional foi tão branda que sugere que, na prática, o uso de celulares no banco pode ser tolerado, contanto que não se torne uma “moda”.
O episódio é emblemático das contradições dentro do futebol brasileiro: as normas estão lá, mas frequentemente não são respeitadas, e as consequências são brandas o suficiente para que a maioria dos jogadores avalie que vale a pena arriscar. Assim, a mensagem que fica é clara, ainda que não oficialmente: o problema não é o uso do celular em si, mas a visibilidade desse ato. O futebol, portanto, continua a navegar em um mar de ambivalências, onde o que se diz e o que se faz frequentemente não se alinham.
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