O Festival Ressonância, que começou a agitar o Centro Histórico de Olinda na quarta-feira (9), alcança seu auge neste sábado (11) com uma programação repleta de shows gratuitos na Praça do Carmo a partir das 16 horas. Este evento inaugural foca na diversidade de linguagens rítmicas e em encontros históricos, reunindo artistas centrais da percussão brasileira e latino-americana. Um dos momentos mais esperados é a apresentação do Cordel do Fogo Encantado, que celebra os 25 anos de seu álbum de estreia, lançado em 2001. O grupo pernambucano revisita a turnê original, que foi fundamental na redefinição da música brasileira no início dos anos 2000, destacando a fusão da percussão com a poesia oral.
Outro destaque do festival é o percussionista uruguaio Lobo Núñez, reconhecido como uma referência no candombe, uma manifestação afro-uruguaia que é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Seu espetáculo, centrado nos tambores tradicionais chico, repique e piano, busca conectar ancestralidade e contemporaneidade, promovendo uma rica experiência musical que atravessa gerações na América Latina. Além disso, o projeto colombiano Alibombo y los Sopladores traz uma abordagem experimental à percussão, utilizando objetos do cotidiano e instrumentos não convencionais combinados a um conjunto de sopros, ampliando os limites sonoros e explorando novas texturas musicais.
Representando as tradições afro-brasileiras, o grupo baiano Aguidavi do Jêje apresenta uma sonoridade enraizada nos terreiros de candomblé, que se transforma em uma linguagem contemporânea que articula tradição e inovação. O duo pernambucano Repercuti traz uma pesquisa que une instrumentos de concerto, como marimba e vibrafone, a influências afro-brasileiras, criando uma estética afrossinfônica marcada pela sofisticação rítmica. Para completar a programação, o DJ Sidade assume a abertura e os intervalos entre os shows, oferecendo sets que dialogam com sonoridades africanas e da diáspora, incorporando elementos percussivos em tempo real e enriquecendo a experiência sonora do público ao longo da noite.
Além dos shows, o festival também oferece uma série de atividades formativas na Casa Estação da Luz, que incluem oficinas voltadas à percussão afro-brasileira e à criação musical, além de masterclasses que discutem o candombe uruguaio e o legado de Naná Vasconcelos. Todas essas atividades são gratuitas, promovendo um acesso amplo à cultura e à educação musical.
Com uma programação diversificada que valoriza a riqueza das tradições percussivas e a inovação musical, o Festival Ressonância se destaca como um espaço de celebração e diálogo cultural, reunindo artistas e público em um ambiente vibrante e inclusivo. O evento não apenas enriquece a cena musical local, mas também reforça a importância da preservação e promoção das diversas expressões rítmicas que compõem a herança cultural da América Latina.
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