O relatório final da CPI do Crime Organizado, apresentado pelo senador Alessandro Vieira, revela que jatos executivos associados ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foram utilizados por quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques. O serviço de aviões, denominado “Vorcaro Air”, foi empregado em voos relacionados ao Fórum de Lisboa, um evento jurídico em Portugal.
A investigação da CPI sugere que Vorcaro usou sua influência econômica para afetar o aparato estatal através de patrocínios e experiências luxuosas, oferecendo sistematicamente o uso de suas aeronaves. O relatório destaca que Moraes foi o ministro que mais usou esses jatos, com oito voos registrados entre maio e outubro de 2025, um período em que sua esposa recebeu pagamentos substanciais de contratos com o Banco Master. A maior parte desses voos foi realizada em aviões da Prime Aviation, empresa da qual Vorcaro era sócio. O relatório também menciona que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) não autorizou a operação de algumas dessas aeronaves como táxi aéreo, e os custos dos voos superam R$ 1 milhão.
Além disso, o relatório revela que mensagens trocadas entre Vorcaro e sua então noiva indicam encontros entre ele e Moraes em datas próximas aos voos. A defesa do ministro, por meio do escritório da sua esposa, argumentou que os voos eram compensações por honorários, uma alegação que Vieira considerou um “circuito fechado” de financiamento inadequado.
Quanto ao ministro Dias Toffoli, o relatório aponta um padrão de utilização do terminal executivo de Brasília, com pelo menos dez acessos em 2025, cinco dos quais envolveram parceiros de Vorcaro. Um destaque foi um voo para Lima, no Peru, onde Toffoli assistiu à final da Libertadores em um jatinho que também transportava um advogado do Banco Master. O relatório menciona ainda a relação de Toffoli com o Resort Tayayá, próximo a Marília, e sua confirmação de ser sócio de uma empresa que vendeu participação no resort a um fundo controlado pelo cunhado de Vorcaro.
Gilmar Mendes também é mencionado, com registros de voos em jatos da Prime You e fretamentos para o Fórum de Lisboa. O relatório indica que Vorcaro financiou voos e eventos luxuosos durante o Fórum, totalizando despesas significativas. Mendes criticou o relatório, pedindo investigação contra Vieira por abuso de autoridade e alegando que o documento visa desviar a atenção das investigações.
Kassio Nunes Marques, embora não indiciado, também está associado ao uso do “Vorcaro Air”, confirmando uma viagem para Maceió a convite de uma advogada, sem envolvimento nos custos ou logística.
As descobertas sobre os voos dos ministros foram possibilitadas por um cruzamento de dados de registros internos do STF, informações do terminal de aviação de Brasília e da ANAC, além de dados coletados pela Polícia Federal, incluindo mensagens do celular de Vorcaro. A CPI expõe vulnerabilidades nas relações entre o Judiciário e interesses privados, levantando questões sobre a ética e a integridade das instituições.
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