Na quinta-feira, 16 de novembro, a Polícia Federal (PF) prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Costa já havia sido afastado do cargo em meio a investigações sobre suas relações com o Banco Master, que levantaram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além de Costa, o advogado Daniel Monteiro, associado ao banqueiro Daniel Vorcaro, também foi detido em São Paulo, sendo considerado um “arquiteto jurídico” das fraudes alegadas. A defesa de Monteiro ainda não se manifestou.
A nova fase da operação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, incluiu a execução de sete mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. Mendonça destacou que Costa atuava como um agente do BRB para garantir a liquidez do Banco Master, beneficiando-se pessoalmente ao supostamente receber R$ 146 milhões em propinas, diluídas em imóveis de alto valor em São Paulo. O relatório da PF documentou conversas entre Costa e Vorcaro nas quais discutiam a aquisição de imóveis em troca de favores financeiros, evidenciando uma relação direta entre os dois.
Além das propinas, o relatório menciona que Costa e Dário Oswaldo Garcia Júnior, diretor financeiro do BRB, estavam cientes de inconsistências nas carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master, mas mesmo assim, compraram ativos no valor de R$ 12,2 bilhões em junho do ano anterior. A apuração revelou que a administração do BRB ignorou alertas sobre os riscos associados a tais transações. A PF identificou uma “produção massificada” de documentos falsificados para criar a aparência de ativos legítimos.
A operação também investiga a possibilidade de que Costa estivesse envolvido na compra do próprio Banco Master, o que teria acarretado em prejuízos significativos para o BRB. A negociação de ativos do Master, considerados “podres”, levantou questões sobre o conhecimento dos dirigentes do BRB sobre a real situação financeira do banco e sua tentativa de mascarar uma crise de liquidez.
O caso, que inicialmente girava em torno de irregularidades bancárias, se ampliou para investigações que podem envolver figuras de alto escalão, incluindo ministros do STF e parlamentares. A defesa do banqueiro Vorcaro está buscando um acordo de delação premiada, o que poderia revelar mais detalhes sobre as relações entre ele e a elite política.
Adicionalmente, um evento trágico envolvendo Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu na prisão sob circunstâncias suspeitas, adicionou uma nova camada de complexidade ao caso, levantando preocupações sobre tentativas de silenciar opositores.
A defesa de Paulo Henrique Costa, representada por Cleber Lopes, afirmou que a prisão foi um “exagero” e continua a sustentar a inocência de Costa. A investigação permanece em andamento, com implicações que podem se estender para além do sistema financeiro, afetando a integridade das instituições e a confiança pública.
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