Em um cenário de crescente insatisfação popular, manifestada por panelaços em Santiago, o presidente chileno de extrema direita, José Antonio Kast, apresentou um abrangente plano de reforma legislativa com foco na economia, visando, segundo ele, romper um ciclo de estagnação. O anúncio ocorreu na quarta-feira (16) e contempla mais de 40 medidas, com destaque para a proposta de redução do imposto sobre as empresas, que passaria de 27% para 23%, alinhando-se à média dos países desenvolvidos. Essa proposta, porém, gerou críticas da oposição de esquerda, que questiona a lógica de reduzir impostos em um contexto de alegada falta de recursos.
Kast, que assumiu a presidência em março, afirmou que sua administração não tem a intenção de repetir os erros dos governos anteriores e, durante seu pronunciamento, enfatizou a necessidade de mudanças urgentes na legislação. Um dos pontos centrais de sua abordagem é a crítica ao aumento dos prazos para validação de laudos ambientais, que, segundo ele, tem impactado negativamente o mercado de trabalho. Para isso, ele propõe a diminuição dos prazos de anulação de licenças e a revisão das liminares que impedem obras, além de sugerir que o Estado indenize empresas caso uma autorização ambiental positiva seja revogada.
Além das questões econômicas, Kast abordou a segurança pública, mencionando a presença de 300 mil imigrantes ilegais no país, alguns supostamente ligados a organizações criminosas. Ele anunciou a implementação do “Plano Escudo Fronteiriço”, que inclui medidas como cercas e monitoramento nas fronteiras, além de operações conjuntas entre as Forças Armadas e a polícia. O presidente também informou que iniciaria a remoção sistemática de imigrantes em situação irregular que não têm permissão para permanecer no Chile.
O plano de Kast também contempla a reconstrução de moradias afetadas por incêndios florestais e a introdução de benefícios tributários, como a redução temporária do IVA sobre imóveis novos e incentivos à repatriação de capitais. No entanto, a aprovação dessas medidas no Congresso será um desafio significativo, pois, apesar da maioria da direita, o governo de Kast não possui votos suficientes para garantir a aprovação sem o apoio de outros partidos.
Desde o início de sua gestão, Kast tem se apresentado como um “governo de emergência”, promovendo cortes de gastos em ministérios e suspendendo decretos ambientais que, segundo sua equipe, poderiam prejudicar a criação de empregos. As primeiras ações de sua administração incluem um ajuste drástico em um fundo destinado a estabilizar os preços dos combustíveis, resultando em aumentos de até 60% nos preços.
A reação ao plano de Kast tem sido polarizada, com a oposição argumentando que as reduções tributárias beneficiariam principalmente os mais ricos, enquanto sacrifiquem recursos que poderiam ser usados para apoiar a classe média e trabalhadores. O clima de descontentamento, evidenciado pelos panelaços, sugere que a implementação de sua agenda econômica e social encontrará resistência significativa entre diferentes setores da sociedade chilena.
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