Na manhã do dia 17 de março, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) como seu novo presidente, com 44 votos a favor e uma abstenção. Ruas é aliado do ex-governador Cláudio Castro, que foi cassado recentemente. A eleição, no entanto, ficou marcada pela ausência de 25 parlamentares da oposição, composta por partidos como PT, PDT, MDB, PSB, PSD, PCdoB e Psol, que optaram por não comparecer à votação.
A deputada Marina do MST (PT) criticou o processo, chamando-o de “voto de cabresto” e argumentou que a escolha de Ruas através de uma votação aberta é uma manobra que favorece antigos grupos políticos, excluindo a população fluminense de decisões importantes em um momento de crise econômica e política. Ela defendeu a realização de eleições diretas para o governo do estado. A deputada Dani Balbi (PCdoB) também expressou sua preocupação, afirmando que, embora a votação aberta pudesse ser legal, não era a melhor decisão do ponto de vista político e sugeriu que o processo aguardasse as definições do Supremo Tribunal Federal (STF) para maior segurança.
A bancada do Psol também se manifestou, sugerindo que a votação aberta não se tratava apenas de um procedimento formal, mas de uma tentativa de consolidar o poder do mesmo grupo político que foi deslegitimado recentemente. O partido criticou a manobra como uma forma de evitar eleições diretas e reorganizar a linha sucessória do governo.
No dia anterior à votação, o PDT havia solicitado que a eleição fosse realizada com voto secreto, mas o pedido foi negado pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. No entanto, ela impediu que o presidente eleito entrasse na linha sucessória do governo até que o STF decidisse sobre a realização de eleições diretas ou indiretas. O Estado do Rio de Janeiro está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha se tornou conselheiro do Tribunal de Contas em maio de 2025. Com a cassação de Castro, Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj e preso por envolvimento com o Comando Vermelho, não pode assumir, fazendo com que o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, assuma a função interinamente.
A situação política no Rio é complexa, especialmente considerando que a Constituição do estado prevê eleições indiretas em casos de vacância do cargo de governador a menos de seis meses das eleições gerais, exceto em casos de cassação. O STF já iniciou a votação sobre a questão, mas um pedido de vista do ministro Flávio Dino adiou a decisão, que ainda não tem data definida para ser proferida.
A eleição de Douglas Ruas e as manobras políticas subsequentes levantam questões sobre a legitimidade e a representatividade do processo democrático no estado, especialmente em um cenário de desconfiança e crise. A oposição, ao se ausentar, sinaliza um descontentamento com a forma como as decisões estão sendo tomadas, enquanto a situação legal sobre a sucessão do governo permanece indefinida.
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