O governo de Minas Gerais, sob a liderança de Simões (PSD) e Zema (Novo), anunciou que 74% das crianças estão alfabetizadas até o 3º ano do ensino fundamental, superando a meta de 72% estabelecida no Plano Estadual de Educação (PEE) para 2027. Essa informação foi divulgada pela Secretaria de Estado de Educação (SEE) durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em 9 de abril, sendo apresentada como um avanço significativo nas políticas educacionais do estado. Os gestores da SEE atribuem esse crescimento de 12% desde 2023 a iniciativas como testes de fluência leitora, formação de professores e incentivos à leitura nas escolas.
Contudo, essa visão otimista não é compartilhada por todos. A procuradora do Ministério Público de Contas, Cristina Andrade Melo, levantou questionamentos sobre a confiabilidade dos dados. Ela destacou que, embora 66% das crianças em todo o país sejam consideradas alfabetizadas na idade ideal, essa classificação depende dos critérios utilizados para medir a alfabetização. Melo criticou as avaliações brasileiras, que tendem a focar no reconhecimento literal de palavras sem exigir uma análise mais profunda da compreensão textual. Especialistas também apontam que a metodologia dos exames pode inflar os índices de alfabetização, tornando-os menos rigorosos em comparação com sistemas educacionais de outros países, como o Chile.
Adicionalmente, a SEE reconhece que 26% das crianças em Minas Gerais ainda não estão alfabetizadas na idade apropriada, o que revela limitações significativas nas políticas públicas de educação. Durante a audiência, a meta de universalização do ensino fundamental também foi discutida. O governo afirma que 97% dos estudantes concluem essa etapa na idade recomendada, um índice que supera a média nacional. No entanto, Denise de Paula Romano, coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), argumentou que esse número não representa um avanço real, pois os dados não mudaram substancialmente nos últimos anos.
Romano criticou a implementação de projetos que, segundo ela, são contrários às diretrizes do PEE, sugerindo que essas decisões políticas têm prejudicado o cumprimento das metas educacionais. Ela mencionou o projeto “Mãos Dadas”, que busca municipalizar o ensino, como um mecanismo que transfere responsabilidades do estado para os municípios, sem promover efetivamente a expansão da educação infantil, o que resulta em uma desigualdade regional acentuada.
Atualmente, cerca de 247 mil crianças de 0 a 3 anos estão fora da creche em Minas Gerais. Dados revelam que a conclusão do ensino fundamental também é desigual: em 2025, 98% dos jovens de 16 anos de famílias mais ricas deverão concluir essa etapa, em contraste com apenas 84% entre os jovens mais pobres. Além disso, a disparidade racial é evidente, com 95% dos jovens brancos concluindo o ensino fundamental, em comparação a 88% dos jovens negros.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT) também criticou a apresentação dos dados pela SEE, afirmando que falta transparência e detalhamento sobre as ações e estratégias implementadas. Ela enfatizou a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa, argumentando que os números não refletem a realidade social e que, sem enfrentar as desigualdades, a universalização da educação continuará a ser apenas uma estatística.
Fonte: Link original




























