A doação de R$ 2 milhões feita por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, à campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 é um ponto de partida para discutir as conexões entre a instituição financeira e o governo bolsonarista. A relação se aprofunda com as privatizações da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), programadas para 2024, e que têm Nelson Tanure, sócio oculto do Banco Master, como figura central. Tanure é alvo de investigações por parte do Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público Federal.
Após a eleição de Tarcísio, Emae e Sabesp se tornaram alvo de interesse no mercado financeiro. Em 2024, foi criado o Fundo Phoenix, ligado à Ambipar, empresa de gestão ambiental, com Tanure como beneficiário final. Este fundo venceu o leilão da Emae, pagando R$ 1,04 bilhão, sustentado por ações da Ambipar, que teve uma valorização significativa em um curto período, levantando suspeitas de manipulação de mercado.
O Fundo Phoenix, gerido pela Trustee DTVM, uma distribuidora ligada ao Banco Master, utilizou capital levantado por meio de debêntures e empréstimos para adquirir a Emae. Posteriormente, recursos da Emae foram usados para comprar debêntures da Light e investir em CDBs do Banco Master, evidenciando um fluxo financeiro que beneficiava as entidades envolvidas na compra.
Em busca de recursos para adquirir a Sabesp, Tanure e membros do Banco Master tentaram articular um empréstimo com o BNDES. A Equatorial Energia, única concorrente no leilão da Sabesp, adquiriu 15% das ações majoritárias da empresa em julho de 2024, levantando questionamentos sobre a falta de concorrência e o valor da venda, que era significativamente abaixo do lucro da empresa.
A atuação de Karla Bertocco, que ocupava cargos em ambas as empresas e tinha sido subsecretária do governo, levantou preocupações sobre conflitos de interesse, especialmente em um contexto em que o governo de São Paulo estava promovendo a desestatização. Representações foram feitas ao Ministério Público para investigar possíveis danos ao interesse público e a manipulação de valores de venda.
Além disso, o Supremo Tribunal Federal rejeitou ações que questionavam a legalidade das privatizações, mas as suspeitas sobre os processos e a conexão entre doações de campanha e resultados financeiros permanecem. José Faggian, presidente do sindicato dos trabalhadores da Sabesp, critica a relação entre a doação de Zettel e a privatização, sugerindo um conluio que favorecia o Banco Master.
As investigações sobre a valorização artificial da Ambipar e a falta de fiscalização nos leilões continuam, com o governo de São Paulo defendendo a transparência e a legalidade dos processos. No entanto, as alegações de manipulações financeiras e conflitos de interesse, especialmente envolvendo figuras-chave como Tanure e Piani, geram uma nuvem de suspeitas sobre a legitimidade das privatizações e seus impactos no patrimônio público.
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