MST conquista 14 novas ocupações em Pernambuco para 4,4 mil famílias

Famílias do MST em ocupação de terra no município de São Lourenço da Mata, na região Metropolitana do Recife

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) exemplifica a luta por justiça e direitos agrários ao transformar o luto em ação. A frase “Fazer do luto, luta” reflete a maneira como o movimento homenageia seus membros que foram assassinados, como Gideone Menezes, atropelado durante uma marcha pacífica em Recife, e as 21 vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás em 1996, cuja impunidade ainda é sentida. O MST, em resposta a essas tragédias, promove o “Abril Vermelho”, uma jornada de ocupações e reivindicações por reforma agrária, que neste ano já contabilizou 14 novas ocupações em Pernambuco.

As ocupações se concentram em áreas improdutivas, como a recente ocupação da fazenda Heleno Paulo em Cupira, onde 70 famílias enfrentam ameaças de expulsão por capangas. Outras ocupações significativas incluem a fazenda Vado Marcolino em Jataúba, com 100 famílias, e uma grande ocupação em Taquaritinga do Norte, que reúne 600 famílias. No total, mais de 4,4 mil famílias participam das ações em Pernambuco, reivindicando terra e melhores condições de vida.

Na Zona da Mata, três ocupações somam cerca de 550 famílias, enquanto na Região Metropolitana do Recife, quatro ocupações em São Lourenço da Mata reúnem mais de 1.100 famílias. Estas incluem terras arrendadas pelo grupo Petribu, que cultiva cana-de-açúcar e possui conflitos com a comunidade rural devido à tentativa de invasão de terras já demarcadas para assentamento. O MST reivindica áreas ociosas, buscando expandir seus assentamentos e enfrentar a opressão de empresas que tentam expulsar as famílias.

Os coordenadores do MST na região enfatizam a necessidade de união e força política, especialmente após a violência enfrentada por membros da comunidade rural, como o assassinato de um morador da Matriz da Luz. Para garantir seus direitos, essa comunidade decidiu se associar ao MST, buscando apoio e proteção contra injustiças.

O MST não apenas luta por reforma agrária, mas também pela dignidade e pela memória de seus companheiros que perderam a vida em sua busca por justiça. A luta continua, e as ocupações são uma forma de resistência e afirmação dos direitos dos trabalhadores sem terra em um contexto de impunidade e violência. A mobilização reflete a determinação do movimento em transformar dor em ação, mostrando que, apesar dos desafios, a luta por reforma agrária e justiça social permanece viva e forte no Brasil.

Fonte: Link original

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