O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a possibilidade de expulsar agentes norte-americanos em serviço no Brasil, em resposta à decisão do governo dos Estados Unidos de expulsar o delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho. Este delegado foi envolvido na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem e teve sua saída do país determinada sob alegações de que ele teria tentado contornar pedidos formais de extradição e promover perseguições políticas nos EUA. A decisão surpreendeu tanto a Polícia Federal quanto o governo brasileiro, que aguardam a chegada do delegado de volta ao Brasil.
Lula, durante uma agenda oficial em Hannover, Alemanha, criticou a atitude americana, afirmando que o Brasil “não pode aceitar essa ingerência e abuso de autoridade”. Ele enfatizou que, se houve um abuso por parte dos EUA, o Brasil tomaria medidas recíprocas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou que ainda não havia confirmação oficial sobre a expulsão e questionou a fundamentação da decisão. Ele ressaltou que o delegado estava nos Estados Unidos para colaborar com as autoridades locais em atividades de identificação de foragidos brasileiros, com base em um memorando de entendimento entre os dois países.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também comentou a situação, salientando que Carvalho estava em missão há mais de dois anos e que sua atividade estava alinhada com a cooperação policial internacional. Ele afirmou que o Brasil aguardaria esclarecimentos das autoridades americanas antes de tomar qualquer medida.
A expulsão do delegado foi comunicada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos EUA, que, sem identificar o agente, acusou uma autoridade brasileira de tentar manipular o sistema de imigração americano para contornar pedidos de extradição e realizar perseguições políticas. A nota oficial enfatizou que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração” para tais fins.
Marcelo Ivo de Carvalho havia sido designado para sua função em março de 2023 com um mandato inicial de dois anos, que foi prorrogado até agosto deste ano. No entanto, a Polícia Federal não foi notificada formalmente sobre sua expulsão, e o Itamaraty optou por não comentar sobre o caso até o momento.
Além disso, a expulsão do delegado se insere em um contexto mais amplo de tensões nas relações entre Brasil e Estados Unidos, especialmente após críticas de Lula ao presidente Donald Trump. Lula tem se manifestado contra as ações de Trump, descrevendo-o como um “imperador do mundo” que impõe tarifas e provoca conflitos internacionais de maneira unilateral. A situação torna-se ainda mais complexa com a expectativa de uma visita oficial de Lula a Washington, que foi adiada devido a crises internacionais, como a guerra entre Estados Unidos e Irã.
Em suma, a expulsão do delegado da Polícia Federal pelos EUA e a resposta de Lula refletem uma deterioração nas relações diplomáticas, com o Brasil buscando reafirmar sua soberania e resistência a ingerências externas.
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