O Clã do Golfo, o principal cartel de tráfico de cocaína na Colômbia, declarou que é “impossível” chegar a um acordo de paz com o governo do presidente Gustavo Petro, cujo mandato se encerra em agosto. Este posicionamento foi expresso pelo advogado do cartel, Ricardo Giraldo, durante uma coletiva de imprensa. O Clã do Golfo, considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, está em negociações de desarmamento em troca de benefícios judiciais desde setembro do ano passado, no contexto da política de Paz Total promovida por Petro, que visa acabar com o último conflito armado na América Latina.
As negociações estão ocorrendo no Catar, embora não exista uma trégua formal. Algumas frentes do Clã do Golfo, que conta com aproximadamente 10 mil combatentes, estão concentradas em áreas acordadas para suspender temporariamente suas atividades armadas, mas a situação permanece tensa. Giraldo afirmou que o objetivo do cartel é que o processo de paz avance “com o Estado” e não necessariamente “com o governo”, sugerindo que as negociações podem continuar mesmo após o término do mandato de Petro.
O advogado também comentou que o processo de paz “começou tarde”, mas que ainda apresenta “avanços importantes”. O Clã do Golfo é responsável pela maior parte da cocaína produzida na Colômbia, que é o maior fornecedor mundial dessa droga. As próximas eleições na Colômbia, marcadas para 31 de maio, serão cruciais para determinar o sucessor de Petro, em um cenário onde a segurança é uma preocupação central. O favorito nas pesquisas é Iván Cepeda, um aliado de Petro que participou da formulação da política de Paz Total. Contudo, outros candidatos, como Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, representam a oposição à abordagem de Petro, criticando as tentativas de negociação com grupos ilegais.
A política de Paz Total tem recebido críticas de especialistas, que argumentam que essa estratégia pode ter fortalecido grupos armados, como algumas guerrilhas que abandonaram as negociações. O governo colombiano reconhece que o Clã do Golfo aumentou seu efetivo, evidenciando os desafios na luta contra o narcotráfico e a violência associada. A complexidade da situação é acentuada pelo fato de que, embora haja um esforço para promover a paz, as dinâmicas do tráfico de drogas e a estrutura de poder dos cartéis continuam a representar um obstáculo significativo para a estabilidade na Colômbia.
O futuro do processo de paz, portanto, permanece incerto, especialmente com a aproximação das eleições. A possibilidade de um novo governo com diferentes prioridades pode impactar diretamente o andamento das negociações e a luta contra o narcotráfico. A situação exige uma atenção cuidadosa, pois o Clã do Golfo e outros grupos armados continuam a operar em um ambiente marcado por incertezas políticas e sociais.
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