Dacar Sedia 10º Fórum Internacional sobre Paz e Segurança na África com Foco em Soberania e Estabilidade
Dacar, a vibrante capital do Senegal, se destaca como um ponto estratégico entre a África e as Américas, com apenas 2,9 mil quilômetros de distância do Brasil. Com uma população de quase 4 milhões de habitantes na região metropolitana, a cidade foi palco do 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, que ocorreu nos dias 20 e 21 de abril. O evento reuniu líderes de Estado e representantes de 38 países, incluindo 18 nações africanas, além de organizações internacionais como a ONU e a União Europeia.
A embaixadora do Brasil no Senegal, Daniella Xavier, representou o país no evento, que teve a abertura marcada por um discurso do presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye. Ele destacou Dacar como um centro de diálogo estratégico, um espaço para reflexão e desenvolvimento de soluções internas para os desafios de segurança enfrentados pelo continente africano.
Senegal: Um Farol de Estabilidade na África
O Fórum não apenas discutiu os desafios atuais, mas também reforçou o papel do Senegal como um dos países mais estáveis da África. O diplomata Leonardo Santos Simão, chefe do Escritório da ONU para a África Ocidental e Sahel, enfatizou a importância da estabilidade do Senegal, que nunca sofreu um golpe de Estado. Ele alertou que a África enfrenta momentos conturbados devido a conflitos internos e terrorismo, especialmente na região do Sahel, que é considerada o epicentro do terrorismo internacional.
De acordo com o Índice de Terrorismo Global, a região do Sahel foi responsável por mais da metade das mortes por terrorismo em 2025, com países como Mali, Burkina Faso e Níger liderando as estatísticas. Simão destacou que o Senegal, por meio deste fórum, oferece um espaço para troca de ideias sobre como enfrentar esses desafios.
Fortalecimento das Relações Globais do Sul
O Senegal também se posiciona como um importante membro do Sul Global, um grupo de nações em desenvolvimento que busca aumentar sua influência no cenário internacional. O diplomata da ONU ressaltou que o país está alinhado com o Brasil e outras nações do Sul na busca por soluções para problemas comuns, como pobreza e exclusão.
A soberania dos países africanos foi um tema recorrente nas discussões, com a necessidade de revisitar as relações passadas e estabelecer um novo diálogo entre o Sul e o Norte Global. O fórum contou com a presença de representantes de países europeus com histórico colonial na África, como França, Espanha e Portugal.
O Papel do Soft Power e a Cooperação Sul-Sul
Carlos Lucas Mamboza, especialista em relações internacionais, definiu o fórum como um instrumento de soft power, ou seja, uma forma de influência baseada na atração e persuasão, ao invés da coerção. O tema deste ano, “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”, reflete a necessidade de equilibrar estabilidade interna e processos de integração regional.
O professor destacou que o fórum também aborda questões mais amplas, como mudanças climáticas, pandemias e cibersegurança, demonstrando a intenção do continente de definir suas próprias prioridades estratégicas.
Interesses Comuns entre Brasil e Senegal
O Senegal está se consolidando como um elo importante entre a África Ocidental e o Atlântico Sul, especialmente com a recente liderança do Brasil na Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas). Esse alinhamento é visto como uma cooperação Sul-Sul, com interesses comuns em reformas na governança global, especialmente no Conselho de Segurança da ONU, que atualmente é dominado por cinco países permanentes.
A delegação dos Estados Unidos também reconheceu o papel de liderança do Senegal, ressaltando a nova fase nas relações com países africanos, fundamentada em comércio mútuo e desenvolvimento sustentável. O subsecretário adjunto do Departamento de Estado, Richard Michaels, destacou a importância da África na cadeia de suprimentos de minerais críticos, essenciais para tecnologias modernas.
O 10º Fórum Internacional de Dacar não só discutiu a segurança na África, mas também reafirmou a posição do Senegal como um líder regional em desenvolvimento e estabilidade, sinalizando um novo capítulo nas relações internacionais do continente.
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