Violência contra Mulheres no Brasil: Dados Alarmantes e a Necessidade de Ação
No Brasil, a violência contra meninas e mulheres é uma questão alarmante que afeta diariamente a saúde pública. Em 2022, cerca de 900 atendimentos diários foram registrados em unidades de saúde por vítimas de violência, totalizando mais de 330 mil casos, conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Essa realidade revela a urgência de intervenções efetivas para enfrentar o problema.
A legislação brasileira exige que os profissionais de saúde notifiquem todos os casos de violência interpessoal, que envolve o uso intencional de força em relações diretas. Embora esse procedimento também se aplique a homens e minorias, como pessoas com deficiência e a comunidade LGBTQIA+, as mulheres representam 71% das notificações entre 2015 e 2025. A maioria das vítimas atendidas é composta por mulheres negras, com idades entre 20 e 49 anos, que muitas vezes já haviam sofrido agressões anteriormente.
Dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Senado, indicam que apenas 34% das mulheres buscam assistência médica após episódios de violência. A especialista em violência e saúde, Camila Alves, explica que o aumento nas notificações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não necessariamente indica um crescimento nos casos, mas sim uma melhoria na captação e notificação por parte dos profissionais.
Os números das unidades de saúde coincidem com os dados sobre feminicídio, que revelam que as vítimas são predominantemente adultas, negras, e agredidas por parceiros íntimos. A pesquisadora Deborah Carvalho Malta destaca que a violência muitas vezes ocorre em ciclos, começando pela agressão psicológica e podendo culminar em tragédias, como homicídios.
Nos últimos dez anos, 53% das mulheres atendidas por violência já haviam buscado assistência anteriormente. Infelizmente, muitos casos de violência terminam em óbito, indicando a necessidade de um sistema de saúde que não apenas trate, mas que previna esses desfechos trágicos. Desde 1998, o Ministério da Saúde reconhece a violência como um problema de saúde pública, estabelecendo diretrizes para monitoramento e capacitação de profissionais.
O sistema de saúde atua como um ponto de apoio, oferecendo encaminhamentos para assistência social e medidas protetivas. Contudo, a notificação não é automaticamente enviada à polícia, garantindo que a mulher tenha controle sobre a decisão de reportar a violência. Essa abordagem visa reduzir riscos e empoderar a vítima.
Além disso, Malta ressalta que o sistema de saúde capta casos que muitas vezes não chegam às delegacias, como violência psicológica e moral. A ginecologista Lia Cruz Vaz da Costa Damásio enfatiza a importância do ginecologista como um aliado na identificação de traumas relacionados à violência, que muitas vezes manifestam-se em queixas como dor pélvica crônica.
Apesar da relevância dos atendimentos, apenas cerca de 40 hospitais públicos no Brasil estão adequadamente preparados para receber vítimas de violência sexual com protocolos completos. A dificuldade em encontrar serviços que ofereçam a assistência necessária é um desafio enfrentado por muitas mulheres.
Os efeitos da violência se estendem muito além do momento da agressão. As vítimas, especialmente as que sofrem na infância, podem carregar sequelas físicas e emocionais por toda a vida. Um estudo publicado na revista The Lancet em 2025 classifica a violência por parceiro íntimo como o quarto maior fator de risco à morte prematura entre mulheres de 15 a 49 anos globalmente, sendo o terceiro lugar no Brasil.
A complexidade da violência contra a mulher exige uma abordagem intersetorial. A desigualdade social e questões culturais perpetuam essa realidade, tornando necessário um esforço conjunto para reduzir as disparidades, aumentar a escolaridade e investir na infância.
O projeto Saúde Pública, apoiado pela associação civil Umane, visa promover iniciativas que abordem essa problemática de forma abrangente, buscando um futuro mais seguro para todas as mulheres.
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