Transformações do Trabalho: Impactos Sociais em Debate Internacional

Encontro internacional discute transformações do trabalho e seus impactos sociais – Jornal da USP

O 3º Encontro Internacional de Psicologia Social do Trabalho, que ocorrerá nos dias 29 e 30 de abril na Faculdade de Saúde Pública da USP, propõe uma reflexão crítica sobre as transformações no mundo do trabalho contemporâneo, especialmente à luz das crises globais e do aumento dos adoecimentos mentais. Coordenado pela professora Vera Lúcia Navarro, o evento pretende discutir se realmente há motivos para comemorar no contexto do Dia do Trabalhador, considerando que as últimas décadas têm sido marcadas por retrocessos significativos nas condições de trabalho.

A proposta do encontro é reunir pesquisadores do Brasil e do exterior para explorar as consequências sociais e subjetivas das mudanças no trabalho, com ênfase na intensificação do trabalho, na plataformização, na racionalidade neoliberal e na erosão de direitos trabalhistas. O Grupo de Trabalho (GT) Trabalho e Processos Organizativos da Contemporaneidade, vinculado à Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (Anpepp), é o responsável pela organização do evento e conta com a participação de 28 pesquisadores de diversas instituições. Essa diversidade de vozes e experiências enriquece o debate e possibilita análises comparativas sobre o trabalho em diferentes contextos.

Vera Navarro destaca que os efeitos do retrocesso nas condições laborais são visíveis, com um aumento alarmante do adoecimento psíquico relacionado ao trabalho no Brasil, que já alcança proporções epidêmicas. Transtornos mentais, como depressão e ansiedade, têm se tornado as principais causas de afastamento do trabalho, levando a recordes de licenças médicas. O encontro busca compreender como as conquistas sociais obtidas ao longo do tempo estão sendo ameaçadas por processos de precarização e perda de direitos, refletindo sobre a memória histórica das relações laborais.

A realização do evento na semana do Dia do Trabalhador não é meramente simbólica, mas serve para reposicionar o trabalho como um tema central na análise crítica das relações sociais. O foco na saúde mental é um dos aspectos mais relevantes do debate, pois o adoecimento psíquico afeta profissionais de diversas áreas, incluindo o ambiente acadêmico. A intensificação das atividades, as exigências de produtividade e as condições precárias de trabalho têm impactado não apenas docentes e servidores, mas também estudantes de pós-graduação, que frequentemente enfrentam sobrecarga e assédio moral.

Com mais de 218 inscritos e 53 trabalhos selecionados para apresentação, o encontro se configura como um importante espaço de troca de conhecimento e pesquisa. A programação inclui sessões de comunicação oral e mesas temáticas que abordarão questões como os impactos das crises globais sobre a classe trabalhadora, as transformações das subjetividades na América Latina e a relação entre trabalho e políticas públicas. A interação com pesquisadores internacionais enriquece ainda mais o debate, promovendo um intercâmbio de perspectivas que pode ajudar a consolidar uma agenda comum para investigações futuras.

Os organizadores do evento, incluindo professores de várias universidades, enfatizam a importância de promover o diálogo entre diferentes realidades e experiências, buscando um entendimento mais profundo das transformações no mundo do trabalho e suas implicações para a saúde mental dos trabalhadores. O encontro é, portanto, uma oportunidade valiosa para refletir sobre o presente e o futuro do trabalho, em uma época marcada por incertezas e desafios globais.

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