Cuba enfrenta um cenário de crise energética sem precedentes, agravado pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos, que se intensificou sob a administração do ex-presidente Donald Trump. O bloqueio não apenas limita o acesso a recursos essenciais, mas também dificulta a ajuda internacional, uma vez que Trump ameaçou sancionar países que tentem enviar assistência à ilha. Em um episódio do programa “O Estrangeiro”, o correspondente do Brasil de Fato em Havana, Gabriel Vera Lopes, e o historiador e analista geopolítico Miguel Stédile analisam essa realidade complexa.
Stédile enfatiza a importância de declarações de solidariedade internacional, mas argumenta que elas se tornam vazias sem um apoio real às necessidades básicas de Cuba. Ele compara essa situação à atuação da ONU em crises humanitárias, como a em Gaza, ressaltando que, embora a ONU reconheça o bloqueio como ilegal e desumano, pouco ou nada é feito para aliviar a situação dos cubanos. Stédile menciona que alguns países, como a Rússia, têm tomado iniciativas discretas de apoio a Cuba, mas essas ações precisam ser cautelosas para evitar represálias dos Estados Unidos.
Lopes, por sua vez, observa a resiliência do povo cubano, que tem buscado alternativas para lidar com os impactos do bloqueio. Ele relata que a situação energética melhorou ligeiramente nos últimos tempos, devido ao fornecimento de petróleo da Rússia, que ajudou a reduzir os cortes de luz que se tornaram comuns na ilha. Essa capacidade de adaptação é uma característica marcante da população cubana, que continua a se organizar para enfrentar os desafios impostos pelo bloqueio.
Stédile também analisa a dinâmica política dos EUA, observando que Trump, atualmente concentrado no conflito no Irã, parece ter diminuído suas ações contra Cuba. No entanto, ele alerta que esse cenário é temporário. Caso os Estados Unidos consigam uma solução rápida no Irã, é provável que aumentem as pressões sobre Cuba, visto que Trump poderia ver a ilha como uma oportunidade para recuperar prestígio com sua base política de extrema direita.
A dependência energética de Cuba é um ponto crucial na discussão. O país produz apenas cerca de 30% do petróleo que necessita, enquanto os 70% restantes precisam ser importados, principalmente da Venezuela. A crise na Venezuela e as ações dos EUA para limitar o fornecimento de petróleo têm sido desastrosas para Cuba. Stédile menciona que os ataques dos EUA contra Caracas começaram muito antes de janeiro de 2019, o que dificultou ainda mais o recebimento de petróleo para a ilha.
Em suma, Cuba continua a lutar contra um bloqueio severo, que tem consequências diretas em sua capacidade de funcionar como nação. A solidariedade internacional é bem-vinda, mas Stédile e Lopes concordam que ações concretas são necessárias para que a ajuda seja efetiva. O futuro de Cuba, tanto em termos de política externa quanto de segurança energética, permanece incerto, especialmente à medida que as tensões nos EUA e no Irã evoluem.
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