Na quinta-feira, 23 de março, professores da rede pública de ensino do Distrito Federal se mobilizaram na Praça do Buriti para discutir as precárias condições de trabalho dos contratos temporários e os atrasos nos pagamentos e benefícios da categoria, especialmente em relação ao sistema EducaDF. Os docentes protestaram contra a Portaria 167, que reduzia o salário dos professores temporários, uma medida que gerou descontentamento e foi considerada uma forma de precarização do trabalho docente. Embora a portaria tenha sido revogada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), os professores mantiveram a paralisação, destacando a necessidade de uma luta unificada entre efetivos e temporários.
Márcia Gilda, diretora do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), enfatizou que a mobilização visava questionar as mudanças na metodologia de pagamento e a redução do cálculo da coordenação pedagógica. Gilda destacou a importância da união da categoria, ressaltando que a precarização do trabalho docente afeta a qualidade da educação no Distrito Federal. Atualmente, a SEEDF conta com cerca de 13.997 professores, sendo que muitos estão aguardando nomeação após aprovação em concursos públicos.
A diretora licenciada da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Rosilene Corrêa, criticou a alta rotatividade de professores temporários, afirmando que isso compromete a política pedagógica nas escolas. Ela alertou para um projeto de desmonte da educação pública, que busca precarizar as condições de trabalho dos docentes em todo o Brasil. A professora Ana Cristina Cunha também reforçou a necessidade de efetivação dos professores temporários para garantir uma educação de qualidade.
Durante o ato, parlamentares progressistas, como Fábio Félix (Psol) e Gabriel Magno (PT), manifestaram apoio às reivindicações dos professores, criticando os atrasos nos pagamentos e a ineficiência da gestão anterior. Magno destacou que muitos professores ainda não haviam recebido seus salários ou estavam recebendo valores incorretos, evidenciando falhas na gestão da folha salarial.
A crise no pagamento dos professores expôs fragilidades no sistema EducaDF, que custou R$ 40 milhões e tem sido incapaz de atender às necessidades básicas dos docentes e da administração escolar. O professor Francisco Neto relacionou a portaria e os atrasos nos pagamentos à fragilidade da gestão governamental.
Em resposta às mobilizações, a mesa de negociação do Sindicato se reuniu com membros do governo e foi firmado um acordo que inclui o pagamento retroativo de março e a correção de erros nos contracheques. Além disso, o governo se comprometeu a republicar 718 nomeações tornadas sem efeito e a zerar o cadastro reserva de 2022 antes de convocar um novo concurso.
A Secretaria de Educação afirmou que a revogação da Portaria 167 reflete um compromisso com o diálogo com a categoria e a busca por melhorias na gestão pública. Um grupo de trabalho será criado para rediscutir as questões levantadas pelos professores.
A mobilização dos docentes mostra a força da categoria em busca de melhores condições de trabalho e ressalta a importância da valorização da educação pública no Distrito Federal.
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