Marília Fiorillo, em sua análise das tensões internacionais recentes, critica a política externa dos Estados Unidos, especialmente sob a administração de Donald Trump, que caracteriza como baseada em intimidação e bullying. Essa abordagem é vista como prejudicial, especialmente diante de conflitos que têm repercussões econômicas e humanitárias significativas. Um exemplo claro dessa realidade é a situação no Estreito de Ormuz, onde o Irã apreendeu dois navios, levando Trump a uma postura de recuo e ao prolongamento de um cessar-fogo indefinido.
Fiorillo destaca que, na atual conjuntura, o Irã se recusa a dialogar, exigindo que os Estados Unidos honrem promessas feitas ao Paquistão, que incluem a suspensão de um bloqueio. A situação é alarmante, com impactos diretos na economia global. O comissário de Energia da União Europeia, Dan Jørgensen, alertou que a ofensiva contra o Irã está custando à Europa cerca de 500 milhões de euros por dia, e a crise pode ser tão severa quanto as crises de 1973 e 2022 juntas. A análise da economista sugere que não há soluções mágicas para evitar uma inflação e recessão globais, e o debate atual gira em torno de como mitigar a extensão e duração dessa crise.
Além disso, Fiorillo menciona as contínuas violações do cessar-fogo por Israel, que, segundo relatos, cometou 220 infrações em apenas três dias no Líbano. Organizações de direitos humanos como o Conselho Nacional de Pesquisa Científica e o Centro Nacional de Alerta Precoce e Riscos Naturais do Líbano têm documentado o aumento de ataques, detenções e mortes em Gaza e na Cisjordânia ocupada. Um caso emblemático de impunidade e brutalidade é o assassinato da jornalista libanesa Amal Khalil, que foi morta em um ataque do exército israelense. O incidente, que ocorreu enquanto Khalil e um fotojornalista buscavam abrigo, gerou pouca repercussão internacional, contrastando com a comoção provocada por outras ações militares israelenses.
Fiorillo conclui que a política de intimidação e de força não apenas exacerba conflitos, mas também traz sérias consequências para a economia global e para a vida de civis na região. A análise ressalta a necessidade de um diálogo mais construtivo e a busca por soluções pacíficas, em vez de continuar a trilhar o caminho da agressão e do desrespeito aos direitos humanos. A coluna “Conflito e Diálogo”, que é transmitida quinzenalmente na Rádio USP, continua a abordar esses temas relevantes, contribuindo para a discussão sobre como a comunidade internacional pode lidar com as crises atuais de maneira mais eficaz e humanitária.
Em suma, Fiorillo critica não apenas a política externa dos EUA, mas também a conivência de outras potências com práticas que perpetuam a violência e a instabilidade, destacando a urgência de uma mudança de abordagem que priorize o diálogo e a paz.
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