Pesquisa Revela Efeitos da Cocaína em Salmões na Suécia
Um estudo recente conduzido por cientistas da Universidade Griffith, na Austrália, e da Universidade Sueca de Ciências Agrárias, revelou que salmões expostos à cocaína presente na água nadam distâncias significativamente maiores em comparação àqueles que não tiveram contato com a substância. A pesquisa, publicada na revista Current Biology, foi divulgada nesta segunda-feira (20/04) e traz à tona preocupações sobre a crescente presença de drogas em ambientes aquáticos.
Crescente Problema Global
O uso de cocaína está em ascensão em todo o mundo, com a ONU estimando que cerca de 25 milhões de pessoas tenham consumido a droga em 2023. Essa situação alarmante se reflete na contaminação de rios e lagos, onde a cocaína e outros medicamentos estão se tornando cada vez mais comuns. Os pesquisadores realizaram experimentos no lago Vättern, na Suécia, capturando cerca de cem salmões e expondo-os à cocaína e à benzoilecgonina, um metabólito gerado após o consumo da droga.
Resultados do Estudo
Os resultados mostraram que os salmões expostos à benzoilecgonina nadaram até 1,9 vezes mais longe por semana em comparação aos não expostos, além de se dispersarem até 12,3 quilômetros a mais pelo lago. Marcus Michelangeli, coautor do estudo e membro do Instituto Australiano de Rios, destacou que "qualquer alteração no comportamento animal é preocupante". Ele enfatizou que as concentrações de drogas e medicamentos nos cursos d’água estão aumentando.
Riscos para a Biodiversidade
Os cientistas alertaram que a poluição aquática por medicamentos representa um risco crescente para a biodiversidade. Michael Bertram, professor associado da Universidade Sueca de Ciências Agrárias, reforçou a necessidade de aprimorar o tratamento e monitoramento do esgoto. "Nosso estudo evidencia que as drogas não são apenas um problema social, mas também um desafio ambiental significativo", afirmou.
Impacto em Ecossistemas Aquáticos
Além do estudo atual, pesquisas anteriores já indicavam os efeitos de medicamentos em peixes. Em 2025, um estudo revelou que o clobazam, um ansiolítico, estava influenciando o comportamento migratório do salmão selvagem do Atlântico. Outro levantamento, divulgado no mês passado, indicou que tubarões nas Bahamas estavam sendo afetados por substâncias como cafeína e analgésicos.
Cocaína na Água do Brasil
Recentemente, a Fundação Oswaldo Cruz divulgou que tubarões no litoral do Rio de Janeiro testaram positivo para cocaína. As possíveis fontes de contaminação incluem laboratórios ilegais e resíduos de usuários de drogas. No caso dos salmões, a contaminação se dá principalmente pela eliminação parcial da droga pelos organismos, que acabam por poluir os rios e lagos.
Conclusão
O estudo sobre a contaminação da água por drogas ressalta a urgência de ações para proteger a vida aquática e a saúde dos ecossistemas. À medida que a presença de substâncias químicas nos ambientes naturais aumenta, torna-se essencial abordar essa questão com seriedade e responsabilidade.
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