Cine Sapatão: Cinema LGBT+ e Paletino em Destaque no Brasil

Conheça o ‘Cine Sapatão’, iniciativa que promove cinema LGBT+ e palestino

O Cine Sapatão, fundado no final de 2017, é um projeto voltado à divulgação de produções audiovisuais feitas por cineastas lésbicas, com especial atenção à visibilidade de autoras do Sul Global, incluindo a Palestina. Em entrevista, Nayla Guerra, uma das organizadoras do Cine Sapatão, descreve a evolução do projeto, que começou como um Cine Clube e, ao longo do tempo, se diversificou em suas ações, incluindo a produção de artigos acadêmicos, oficinas e o curta-metragem “Ferro Bar”.

Guerra ressalta que a temática LGBT+ não é predominante no cinema palestino, o que torna a curadoria de filmes um desafio. A cineasta menciona a problemática da “lavagem rosa”, que se refere à prática de promover uma imagem de um país como defensor dos direitos LGBT+ enquanto encobre discriminações e práticas opressivas. Essa questão é particularmente relevante na narrativa sobre Israel e Palestina, onde a percepção de que Israel apoia a comunidade LGBT+ enquanto a Palestina não é amplamente disseminada, mas Guerra critica essa visão simplista, destacando a complexidade da realidade.

Ela também discute a importância da memória e identidade no cinema palestino, mencionando a Nakba, que se refere à catástrofe de 1948 com a criação do Estado de Israel. Guerra indica que a Nakba instaurou um cenário colonial que resultou em destruição cultural e patrimonial, enfatizando os ataques do Exército israelense sobre a cultura palestina. Em relação a essas questões, Guerra cita o filme “Palestina 36”, que aborda a resistência e a memória palestina.

A cineasta menciona a Unidade de Cinema Palestino, estabelecida nos anos 1960, que se ligou à Organização pela Libertação da Palestina (OLP). Este grupo, que incluía a primeira fotógrafa do mundo árabe, Sulafa Jadallah, tinha uma abordagem militante e se dedicava a registrar a presença palestina, mostrando a conexão entre cinema e resistência. Guerra afirma que, apesar das dificuldades, fazer cinema palestino é um ato de resistência, mantendo viva a memória e a cultura do povo palestino.

Embora as tecnologias de produção tenham evoluído, os desafios para a realização de cinema palestino permanecem. Guerra destaca que muitos filmes são feitos na diáspora, em países como Jordânia e Líbano, devido às restrições de locomoção dentro dos territórios palestinos. Ela menciona o documentário “No Other Land”, que ganhou repercussão ao vencer o Oscar 2025, mas que também ilustra os riscos enfrentados pelos cineastas, como o linchamento de um de seus diretores por colonos israelenses.

Em resumo, o Cine Sapatão e a obra de cineastas como Nayla Guerra abordam questões cruciais sobre identidade, resistência e a complexidade da representação da comunidade LGBT+ no contexto palestino. Através de suas iniciativas, o Cine Sapatão busca não apenas promover o cinema lésbico, mas também desafiar narrativas simplistas e dar voz a histórias que muitas vezes são silenciadas.

Fonte: Link original

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