O turismo regenerativo é uma nova abordagem no setor que busca promover a regeneração de ambientes naturais, sociais e ecológicos. Ao contrário de ser apenas um segmento de turismo, conforme destaca o professor Thiago Allis da USP, essa abordagem é uma forma de entender e desenvolver a atividade turística de maneira mais holística. Embora o conceito tenha ganhado destaque recentemente na academia, práticas associadas já existiam, especialmente entre os povos indígenas no Brasil, que realizam turismo com foco na regeneração e cuidado com a terra.
A professora Jaqueline Gil, da Universidade de Brasília, ressalta que o Brasil tem um potencial significativo para liderar essa nova abordagem, dada a sua urbanização crescente — mais de 80% da população brasileira reside em áreas urbanas. Essa realidade torna a regeneração de espaços urbanos um aspecto central do turismo regenerativo, que oferece oportunidades para revitalizar cidades e fortalecer as comunidades.
A diferença entre turismo sustentável e regenerativo é crucial. Enquanto o turismo sustentável visa principalmente o desenvolvimento econômico e lucros, o turismo regenerativo prioriza a saúde e o bem-estar das comunidades e do meio ambiente. Loretta Bellato, pesquisadora da Federation University, critica a noção de sustentabilidade por não ter gerado mudanças significativas na prática do turismo. Ela argumenta que, após décadas desde o Relatório Brundtland, ainda enfrentamos grandes emissões de gases de efeito estufa no setor.
Jaqueline complementa que o conceito de sustentabilidade, apesar de seus avanços, não tem sido suficiente para resolver os problemas ambientais que o turismo enfrenta. O turismo regenerativo, por outro lado, busca abordar esses desafios de maneira inovadora, inspirando-se em práticas que já existiam antes da formalização acadêmica do conceito. Um exemplo é o Cristalino Lodge na Amazônia, onde os recursos gerados pelo turismo financiam a conservação ambiental.
Além do turismo, a filosofia da regeneração se aplica a outros setores, como a agricultura, que já implementa práticas regenerativas. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é citada como um exemplo de pesquisa e prática voltadas para a recuperação de terras degradadas.
Na arquitetura, o conceito de regeneração também se manifesta, como exemplificado pelo Hotel Rosewood em São Paulo, que revitalizou edifícios históricos de forma sustentável. Essa prática evita a destruição de patrimônios e contribui para a economia local por meio do turismo.
O turismo regenerativo pode atuar de duas maneiras: através do envolvimento direto dos turistas em atividades de regeneração ou através da arrecadação de recursos financeiros que apoiam esses esforços. Projetos como a plantação de corais em Pernambuco exemplificam a participação ativa dos turistas na recuperação ambiental.
Em resumo, o turismo regenerativo emerge como uma alternativa promissora que não apenas busca minimizar os impactos negativos do turismo, mas também promove a recuperação e a revitalização de ecossistemas e comunidades, posicionando o Brasil como um potencial líder nesse novo paradigma. As discussões em torno desse conceito sugerem que é hora de repensar e reimaginar o papel do turismo no desenvolvimento sustentável e na regeneração ambiental.
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