Desafios da Economia Global: Fim da Hiperglobalização e Oportunidades para o Brasil
A crescente desestabilização de rotas comerciais, como o Estreito de Ormuz, e as tensões geradas pela guerra tarifária promovida pelos Estados Unidos sinalizam o colapso de uma ordem econômica vigente. Essa análise é do renomado escritor e economista Eduardo Giannetti, que compartilha suas perspectivas em uma entrevista à TV Brasil, a ser exibida no programa Repórter Brasil, nos dias 27 e 28 de novembro.
Giannetti destaca que o cenário internacional atual é marcado por crises e conflitos que impactam significativamente as cadeias de produção globais. Segundo ele, a dependência de poucos fornecedores para produtos críticos, como os chips, tornou-se evidente, com Taiwan respondendo por 90% da produção dos componentes mais avançados. Essa realidade levou a uma busca por diversificação e segurança nas cadeias produtivas.
O economista relaciona o fim da hiperglobalização a eventos históricos, como a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19, destacando a financeirização da economia. "Atualmente, temos de 9 a 12 dólares em ativos financeiros para cada dólar de PIB, uma mudança significativa em relação ao passado", observa Giannetti. Ele também menciona que a valorização das ações na bolsa americana, que deve alcançar cerca de 2 trilhões de dólares entre 2022 e 2026, é concentrada em grandes empresas de tecnologia e inteligência artificial.
Um dos impactos mais significativos da hiperglobalização, segundo Giannetti, foi a inclusão de milhões de trabalhadores asiáticos provenientes de áreas rurais em mercados de trabalho urbanos, o que afetou profundamente a classe trabalhadora ocidental. "O poder de negociação foi fortemente comprometido", explica.
A Ascensão da Extrema Direita e suas Causas
Giannetti argumenta que a ascensão da extrema direita em várias partes do mundo é em grande parte resultado do ressentimento da classe trabalhadora e da classe média ocidental, que se sentem ameaçadas pela perda de segurança e poder de barganha. Ele traça um paralelo com os anos 30 do século XX, ressaltando que esse fenômeno não é isolado, mas sim uma tendência global.
Oportunidades para o Brasil em uma Nova Ordem Econômica
Com o declínio da hiperglobalização, o Brasil se encontra em uma posição privilegiada para se reposicionar no cenário econômico global. Giannetti acredita que o mundo buscará segurança e diversificação, e o país possui vastos recursos naturais e uma biodiversidade rica. "Precisamos aprender a explorar esses ativos de forma inteligente", afirma.
O economista enfatiza a necessidade de industrialização para evitar a armadilha de ser um mero exportador de commodities. "Com potências disputando acesso aos nossos recursos, temos uma grande oportunidade de negociar melhores termos", destaca.
A Crise Climática: Um Desafio Urgente
Além das transformações econômicas, Giannetti aponta que a humanidade enfrenta uma crise civilizatória, com as mudanças climáticas se apresentando como a maior ameaça do século XXI. Ele critica o negacionismo em relação ao problema e alerta que os governos podem ignorar a questão climática, mas a realidade não os ignorará.
Para ele, a solução deve ser preventiva, visando minimizar os custos, ou poderá se tornar uma "via dolorosa", onde a gravidade da situação exigirá ações urgentes e custosas.
Em suma, o futuro econômico e ambiental demanda uma reavaliação das prioridades e uma estratégia proativa para mitigar os impactos das mudanças em curso. A capacidade do Brasil de se adaptar e inovar pode ser crucial em um mundo em transformação.
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