Embora tenham sido observados avanços no acesso global à cirurgia da catarata, uma pesquisa recente revelou que lacunas significativas ainda persistem, o que torna a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2030 um objetivo difícil de alcançar. A projeção indica um aumento de apenas 8,4 pontos percentuais na cobertura entre 2020 e 2030, um número muito abaixo dos 30 pontos percentuais propostos pela OMS. Este cenário, embora apresente uma tendência de crescimento na cobertura efetiva desde a década de 2000, evidencia a necessidade de esforços adicionais para que a meta seja atingida.
Os avanços observados na última década podem ser atribuídos a uma combinação de fatores. A expansão dos serviços cirúrgicos em diversos países tem sido um marco importante, assim como a melhor organização dos programas de saúde ocular. A adoção de metodologias padronizadas de monitoramento ajudou a criar um sistema mais eficiente de acompanhamento dos resultados, enquanto o fortalecimento de iniciativas nacionais e regionais tem contribuído para o combate à cegueira evitável. Além disso, houve melhorias significativas na formação profissional e na capacidade cirúrgica, o que tem capacitado mais profissionais a realizar procedimentos de catarata.
No entanto, as desigualdades entre países em relação ao acesso à cirurgia da catarata são alarmantes. Nos países de rendimento elevado, a estrutura de acesso é mais ampla e organizada, permitindo que um maior número de pessoas receba tratamento adequado. Em contrapartida, nas regiões de baixa renda, os desafios são profundos. A escassez de especialistas em oftalmologia, a limitação dos serviços oftalmológicos e os altos custos associados à cirurgia ainda representam barreiras significativas para a população. Esses fatores dificultam o acesso ao tratamento e perpetuam a desigualdade no cuidado da saúde ocular.
A pesquisa destaca que, apesar de os avanços serem encorajadores, a realidade de muitos países, especialmente os de baixa renda, ainda é crítica. A falta de recursos financeiros, a infraestrutura inadequada e a ausência de profissionais qualificados são apenas alguns dos obstáculos que precisam ser superados. Para que a meta da OMS seja alcançada, é imprescindível que haja um comprometimento global em investir em saúde ocular, com foco na formação de profissionais, na expansão de serviços e na redução de custos, visando a inclusão de todas as camadas da população.
Em resumo, enquanto os avanços no acesso à cirurgia da catarata são notáveis e promissores, eles não são suficientes para garantir que a meta da OMS para 2030 seja alcançada. A pesquisa ressalta a necessidade urgente de abordar as desigualdades existentes e de reforçar os esforços em países de baixa renda, onde os desafios são mais acentuados. A luta pela saúde ocular deve continuar, com um enfoque renovado na eliminação das barreiras que impedem uma maior cobertura e no fortalecimento dos sistemas de saúde ocular em todo o mundo. Somente assim será possível avançar em direção a um futuro em que todos tenham acesso a cuidados adequados para combater a cegueira evitável causada pela catarata.
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