O trecho apresentado faz parte de um poema do Movimento dos Atingidos e Atingidas por Barragens (MAB) e reflete sobre a importância da arte, especialmente do bordado, como forma de expressão e resistência das mulheres que enfrentam as consequências de desastres climáticos. A exposição “Arpilleras: Memória e resistência na crise climática”, que ocorre na Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destaca essa expressão artística, reunindo trabalhos de mulheres de diferentes estados brasileiros que bordam suas memórias e lutas em retalhos de serapilheira.
A mostra, que celebra os dois anos da grande enchente de 2024 no Rio Grande do Sul, é uma parceria entre o MAB e a UFRGS, e tem como objetivo promover a memória e a denúncia sobre os impactos da crise climática. A visitação é gratuita e a exposição inclui arpilleras de diversas regiões do Brasil, além de uma mostra fotográfica que documenta os efeitos de desastres climáticos, como enchentes e secas.
Durante a abertura da exposição, foi realizada uma encenação que retratou a tragédia das enchentes, mostrando a luta das mulheres para salvar suas memórias e pertences. A coordenadora do MAB, Maria Aparecida Castilhos Luz, ressaltou que as arpilleras são uma forma de externalizar sentimentos que muitas vezes são difíceis de expressar em palavras. Essas peças de arte funcionam não apenas como registros das experiências vividas, mas também como um chamado à solidariedade e à organização coletiva diante das adversidades.
Alexania Rossatto, coordenadora nacional do MAB, enfatizou que as arpilleras resgatam a memória de luta das mulheres chilenas durante a ditadura, servindo agora como um meio de denunciar as injustiças enfrentadas pelos atingidos no Brasil. Ela destacou que essas obras são símbolos de dignidade e organização, essenciais para a luta por direitos e pela construção de um futuro mais seguro.
No entanto, dois anos após a enchente, a realidade para muitas famílias ainda é de precariedade. Rossatto mencionou que muitas residências permanecem em condições inadequadas e que a insegurança alimentar é uma questão persistente. Além disso, alertou para a falta de infraestrutura de proteção contra novas enchentes, ressaltando que o Estado precisa assumir a responsabilidade em garantir moradia e segurança para as comunidades afetadas.
A reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, reforçou a importância da memória como ferramenta para enfrentar a crise climática e convidou a comunidade a visitar a exposição. A participação das mulheres na produção das arpilleras também foi destacada como um espaço de troca e aprendizado, permitindo que elas expressem suas vivências e lutem por mudanças sociais.
Por fim, a curadora da exposição, Suelen Corrêa Fagundes, afirmou que ser arpileira é um processo de entrega e expressão coletiva. Ela ressaltou o caráter político das obras, que vão além da arte, servindo como instrumentos de denúncia sobre os efeitos da crise climática e as demandas que ainda precisam ser atendidas. A arte, assim, se torna um meio de resistência e uma forma de manter viva a memória das lutas enfrentadas pelas mulheres atingidas.
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