A exposição em questão apresenta um olhar sobre os povos originários brasileiros, com foco especial nos apiacás, através de painéis que exibem excertos dos cadernos de Florence. Esses excertos revelam a percepção do autor sobre a simplicidade da vida dos indígenas, contrastando-a com a sociedade ocidental. Florence descreve a nudez dos apiacás, sua alimentação e a ausência de conceitos como propriedade, destacando que, em sua sociedade, não existem crimes como roubo ou homicídio. Essa visão idealizada é complementada por um olhar contemporâneo sobre a realidade dos apiacás, que hoje habitam as terras do Médio Tapajós e lutam ativamente contra a exploração de seus territórios, como o desmatamento e o garimpo.
A exposição não se limita a textos, mas também apresenta fotografias e registros que documentam a vida atual dos apiacás, enfatizando a luta deles pela preservação de sua cultura e do meio ambiente. Através do ativismo, os indígenas buscam defender seus saberes e modos de vida, ressaltando a importância de suas terras tanto para a sua sobrevivência quanto para a biodiversidade da região.
Além disso, a mostra inclui duplicatas de plantas coletadas durante as expedições de Florence, como a Allophylus heterophyllus, que faz parte do acervo do herbário da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. Esses registros botânicos não são apenas esforços científicos, mas também documentações que capturam a essência do cotidiano da navegação pelos rios amazônicos. Um aspecto interessante apresentado na exposição é o processo de varação, que é uma técnica utilizada pelos viajantes para evitar naufrágios ao se depararem com cachoeiras e outros obstáculos nas águas.
O pesquisador João Carlos Cândido Santos, co-curador da mostra, explica que quando a força da queda d’água era muito intensa, a canoa precisava ser transportada por terra. Isso exigia um trabalho extenso, já que em um único trajeto pelo Rio Tietê, há mais de 100 quedas que demandam esse tipo de manobra. Essa prática, que revela os desafios enfrentados pelos navegadores, também ilustra a relação intrínseca entre os viajantes e o ambiente natural ao seu redor.
A exposição, portanto, não apenas resgata a visão de Florence sobre os povos originários, mas também estabelece um diálogo entre passado e presente, mostrando como as lutas por direitos e preservação cultural continuam relevantes. A documentação das práticas indígenas e a atenção às dificuldades enfrentadas durante as expedições proporcionam uma compreensão mais profunda da rica diversidade cultural e das adversidades que esses povos ainda enfrentam. Através de uma apresentação visual e textual, a mostra convida os visitantes a refletirem sobre a relação entre a natureza, a cultura e a luta pela sobrevivência dos povos indígenas no Brasil contemporâneo.
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