Demissões em Massa na TV Alesp: Ex-Funcionários Denunciam Falta de Pagamento de Salários e Rescisões
Mais de 100 ex-funcionários da TV Alesp estão enfrentando uma grave crise financeira após serem demitidos sem receber salários atrasados e verbas rescisórias. A situação se agravou após o encerramento do contrato da Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac), que geriu a emissora por 15 anos.
Os relatos indicam que os salários de dezembro e janeiro não foram pagos, levando um grupo de demitidos a protestar na Assembleia Legislativa de São Paulo no início do mês. A Fundac, responsável pela gestão da TV, não teve recursos suficientes para cumprir com as obrigações trabalhistas.
Contratação e Recontratação: Um Cenário Preocupante
Do total de demitidos, apenas 45 trabalhadores foram recontratados pela nova empresa que venceu a licitação para gerenciar a TV Alesp e a EPTV, afiliada da TV Globo no interior de São Paulo. A nova gestora assumiu a operação em 1º de janeiro, com um contrato de R$ 26,9 milhões anuais.
Sérgio Ipoldo Guimarães, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo, informou que a situação se complicou quando a Alesp decidiu descontar valores pagos diretamente aos trabalhadores, enquanto a Fundac enfrentava dificuldades financeiras.
A Responsabilidade da Alesp
O sindicato destaca que a Assembleia Legislativa se comprometeu a quitar os salários atrasados, mas uma ação judicial movida pelo Banco do Brasil contra a Fundac bloqueou os repasses financeiros. A Alesp apresentou uma petição judicial argumentando que os recursos deveriam ser direcionados aos trabalhadores.
Além dos salários, a situação das rescisões também é preocupante. A Fundac estima que seriam necessários cerca de R$ 5 milhões para pagar as verbas rescisórias, enquanto a Alesp afirma ter um saldo de cerca de R$ 3 milhões a repassar. A divergência entre os valores gera incertezas sobre a quitação das obrigações trabalhistas.
Busca por Diálogo e Respostas
Os ex-funcionários têm tentado estabelecer um canal de comunicação com o presidente da Alesp, André do Prado. Apesar de conversas com o chefe de gabinete, ainda não houve retorno sobre a solicitação de uma reunião. Hoje, um manifesto será entregue no gabinete da Assembleia em busca de respostas.
A Alesp, reconhecida como a maior assembleia do país, teve um custo de aproximadamente R$ 1 bilhão, conforme dados do Balancete da Execução Orçamentária do 5º bimestre de 2025. A nova empresa, responsável pela gestão da TV, terá que lidar com as consequências da transição e as reclamações dos ex-funcionários.
Posicionamento das Entidades Envolvidas
A Assembleia Legislativa informou que está cumprindo a decisão judicial que bloqueou os repasses à Fundac e que solicitou autorização judicial para realizar pagamentos diretos aos trabalhadores, caso o bloqueio seja revertido. A Fundac não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
A situação atual levanta questões sobre a gestão de recursos públicos e a responsabilidade das instituições na proteção dos direitos dos trabalhadores. A continuidade das reivindicações por parte dos ex-funcionários da TV Alesp será monitorada de perto, enquanto buscam soluções para suas pendências financeiras.
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