Milhares de Argentinos Comemoram Memória e Luta em Grande Manifestação Contra o Golpe Militar
Na Argentina, milhares de pessoas se uniram em uma das maiores manifestações em homenagem aos 30 mil desaparecidos durante a ditadura militar, sob o lema "São 30 mil e nos digam onde estão". A mobilização ocorreu na emblemática Praça de Maio, em Buenos Aires, marcando os 50 anos do golpe de 24 de março de 1976.
A atmosfera era de forte emoção e determinação. "Estamos aqui para reafirmar que a memória se defende lutando. É essencial unir nossas lutas em tempos difíceis", declarou o representante que leu o documento oficial na praça. A multidão, composta por famílias, jovens e militantes, vibrava com bandeiras e tambores, criando um ambiente de solidariedade e resistência.
Entre os participantes, Gustavo, um professor, compartilhou a experiência de trazer suas filhas para a marcha. "Este ano é especial, é a primeira vez que elas vêm comigo", disse, enquanto suas filhas exibiam uma bandeira adornada com a frase “Florescerão mil flores”, ao lado do tradicional lenço das Mães e Avós da Praça de Maio.
As mobilizações de 24 de março têm uma relevância única na Argentina, reunindo desde estudantes até aposentados, além de organizações sindicais e sociais. Até torcidas de futebol se uniram à causa, entoando cantos que criticavam o governo atual. “Quem não pula é militar”, gritaram, enquanto as pessoas ao redor filmavam e aplaudiam.
A presença das Mães da Praça de Maio foi um dos pontos altos do evento. Elas carregavam fotos de seus filhos desaparecidos, simbolizando a luta contínua por justiça e verdade. Um cartaz destacava a pergunta: “Onde estão os bebês roubados?”, uma referência direta às atrocidades cometidas durante a ditadura e às provocações do atual governo de Javier Milei, que defende a narrativa militar.
O governo, por sua vez, lançou um vídeo antes da manifestação, reiterando sua visão sobre os eventos passados. Em resposta, os manifestantes adotaram o lema "Memória completa", inundando as ruas com mensagens que criticavam as políticas do governo de extrema direita.
As críticas à administração de Milei foram constantes durante o ato. O documento lido na praça denunciou a crescente dependência do governo em relação ao imperialismo e as reformas que atacam os direitos dos trabalhadores. “Esses modelos neoliberais não podem ser impostos sem repressão”, alertou o texto.
Apesar do tempo que passou, a luta por Memória, Verdade e Justiça permanece viva. “Cinquenta anos após aquele golpe genocida, seguimos aqui, reivindicando as lutas de quem deu suas vidas para transformar a realidade”, afirmaram os organizadores.
As Mães, em sua maioria já idosas, lideraram a marcha, carregando as imagens de seus filhos desaparecidos. A imagem dessas mulheres, muitas em cadeiras de rodas, cercadas por uma multidão solidária, emocionou a todos. "As Mães da Praça, o povo as abraça", ecoava entre os aplausos.
Ao final do ato, a convocação foi clara: "Levantemos agora, bem alto, as fotos dos desaparecidos. Eles olham para a Casa de Governo, que não os procura". A multidão respondeu em uníssono: “30 mil detidos-desaparecidos, presentes!”.
A manifestação não foi apenas uma lembrança do passado, mas uma reafirmação do compromisso com a luta por justiça e direitos humanos. Entre os jovens, um grupo de estudantes escrevia um poema de Paco Urondo, um militante desaparecido, na parede. “Arderá a memória até que tudo seja como sonhamos”, expressando a esperança de que um futuro melhor é possível.
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