Pouca Mobilização na Primeira Grande Assembleia Patriótica na Hungria
Na tarde dessa segunda-feira (23/03), o Parque da Cidade em Budapeste recebeu a chamada Primeira Grande Assembleia Patriótica, um evento que não conseguiu atrair uma grande multidão. Estimativas indicam que cerca de duas mil pessoas participaram do encontro, a maioria composta por idosos simpatizantes do partido Fidesz, liderado pelo primeiro-ministro Viktor Orbán.
O evento contou com a presença de figuras de destaque da ultradireita europeia, incluindo Geert Wilders, Marine Le Pen, Matteo Salvini e Santiago Abascal, que foram convidados a discursar. No entanto, a plateia parecia refletir um público já alinhado com a ideologia de Orbán, como evidenciado por declarações de participantes que expressaram seu apoio ao Fidesz e seus valores conservadores.
Durante sua fala, Orbán não apresentou novidades. Ele reiterou promessas antigas, afirmando que as "forças patrióticas" tomariam Bruxelas e que, ao contrário dos países da União Europeia sob liderança liberal, a Hungria estaria em um caminho de crescimento e sucesso. Suas palavras soaram como ecos de discursos de antigos ditadores, que proclamavam vitórias enquanto suas nações enfrentavam crises profundas.
Desafios Eleitorais e Mobilização do Fidesz
O cientista político Bulcsu Hunyadi, do instituto Political Capital, comentou que eventos como este servem como uma estratégia de comunicação pré-eleitoral para demonstrar a importância de Orbán no cenário internacional. Contudo, a realidade é que o Fidesz enfrenta desafios significativos nas próximas eleições parlamentares, marcadas para 12 de abril. Embora o partido tenha mobilizado recursos estatais para a campanha, ele aparece atrás do opositor Tisza nas pesquisas.
Orbán tem estruturado sua campanha em torno de temas como "guerra ou paz", explorando a tensão com a Ucrânia e a União Europeia. Entretanto, escândalos de corrupção e questões ambientais têm impactado negativamente sua imagem. Recentemente, o ex-chefe do Banco Nacional da Hungria, György Matolcsy, foi envolvido em um escândalo que expôs sua extravagância, incluindo uma reforma luxuosa em um banheiro do banco, que se tornou um símbolo da decadência da elite que orbita Orbán.
Controvérsias Ambientais e Influência Russa
Além disso, a fábrica de baterias da Samsung em Göd tem sido alvo de críticas por violar normas ambientais e expor trabalhadores a substâncias tóxicas. Apesar do conhecimento do governo sobre as irregularidades, nenhuma ação foi tomada para remediar a situação.
Por último, a crescente preocupação com a influência russa na política húngara também não pode ser ignorada. Conversas entre o ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjártó, e autoridades russas levantaram questões sobre a soberania húngara e a verdadeira independência do governo de Orbán. Szijjártó, que admitiu os contatos, descreveu-os como práticas diplomáticas normais, mas isso contrasta fortemente com as acusações de Orbán contra seus opositores, que ele rotula como marionetes de potências estrangeiras.
Reação da População
Após a Assembleia, a reação popular foi mista. Muitos moradores da Praça Széll Kálmán, nas proximidades, não tinham conhecimento do evento, enquanto outros expressaram indignação. Um jovem de 25 anos descreveu a reunião como "patética", ressaltando que, após tantos escândalos, tentar se posicionar como defensores da Hungria é uma tentativa constrangedora.
A Primeira Grande Assembleia Patriótica, portanto, não conseguiu gerar o impacto esperado, refletindo um momento de incerteza e tensões na política húngara.
Fonte: Link original

































