Mais de 80 Países da ONU Condenam Expansão de Presença Israelense na Cisjordânia
Mais de 80 Estados-membros das Nações Unidas manifestaram forte oposição às medidas unilaterais de Israel para ampliar sua presença na Cisjordânia. A declaração foi divulgada pela Missão da Palestina na ONU, destacando a condenação a ações que violam o direito internacional.
Na terça-feira, 17 de outubro, durante uma sessão na sede da ONU em Nova York, o representante palestino Riyad Mansour leu um comunicado assinado por 85 países. O documento expressa uma condenação "veemente" às decisões israelenses que visam expandir sua presença ilegal na região.
Os signatários afirmam que essas ações contrariam as obrigações de Israel segundo o direito internacional e exigem a reversão imediata das medidas. "Reiteramos nossa firme oposição a qualquer forma de anexação", destacou o comunicado, lido na presença de diversos embaixadores.
Os países também rejeitaram todas as iniciativas que visam alterar a composição demográfica e o status do Território Palestino, ocupado desde 1967. A declaração ressalta que tais ações violam normas internacionais, comprometem os esforços pela paz e prejudicam a possibilidade de um acordo que encerre o conflito.
Os países signatários reafirmaram sua intenção de adotar medidas concretas para garantir o direito do povo palestino à autodeterminação e para combater a política de colonização nos territórios ocupados, incluindo Jerusalém Oriental. A Missão da Palestina também compartilhou em suas redes sociais as bandeiras dos países que apoiaram a declaração, destacando a ausência dos Estados Unidos entre os signatários.
Registro de Terras na Cisjordânia
A declaração é uma resposta à recente decisão do governo israelense que, no domingo (15), anunciou a reabertura do processo de registro de terras na Cisjordânia, algo que não ocorria desde 1967. Essa medida permitirá a Israel registrar terras palestinas de forma definitiva, um passo considerado alarmante por diversos líderes internacionais.
A proposta, liderada por figuras do governo ultranacionalista, visa regular propriedades agrícolas e definir áreas ocupadas na Cisjordânia. No entanto, a complexidade do processo levou Israel a abandoná-lo por décadas.
A ONU, assim como países árabes e a União Europeia, já havia criticado as novas ações de Israel, que reforçam o controle sobre a região. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a decisão pode resultar na expropriação de terras palestinas e ampliará o controle israelense sobre a Cisjordânia.
Guterres enfatizou que a política atual de Israel compromete a viabilidade de uma solução de dois Estados. "Todos os colonatos judaicos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, são ilegais e violam o direito internacional", reiterou o porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric.
Desde 1967, a atividade de colonatos israelenses se manteve, intensificando-se sob a administração de Benjamin Netanyahu, especialmente após o início do conflito em Gaza em outubro de 2023. Atualmente, mais de 500 mil israelenses habitam colônias na Cisjordânia, que a ONU considera ilegais.
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