A exposição “Costura de Cores Ancestrais – A RETOMADA”, idealizada pela artista manauara Keila-Sankofa, tem como objetivo recontar e resgatar as histórias de pessoas pretas e indígenas que foram retratadas de maneira violenta e desrespeitosa durante a expedição fotográfica racista conhecida como “Thayer”, realizada na Amazônia no século XIX. A mostra estreou em São Luís, Maranhão, no dia 25 de outubro de 2023, como parte do projeto artístico “Direito à Memória”, que busca combater o apagamento histórico dessas populações.
A exposição é contemplada na PNAB 2024, que apoia ações culturais de artes. Keila-Sankofa, movida por um incômodo legítimo em relação à imagem pública das pessoas pretas e indígenas, propõe uma nova leitura desse passado, criando uma memória pública que ressignifica as imagens e histórias dessas pessoas, que muitas vezes foram apagadas pela narrativa colonial. A artista ressalta que as teorias racistas que justificavam a suposta superioridade racial ainda permanecem no imaginário coletivo, e seu trabalho visa, portanto, replantar e recriar essas representações, destacando a cultura, origem e desejos dos indivíduos que foram desumanizados.
A transmutação da imagem é uma das principais ferramentas da exposição, que busca contar histórias e construir identidades para pessoas que, até então, eram vistas apenas como objetos nas fotografias. Ao ressignificar as imagens desses indivíduos, a exposição transforma-os de cativos em seres livres, com suas humanidades reconhecidas. Essa abordagem crítica e poética permite que as narrativas coloniais sejam questionadas e que novas representações sejam criadas.
“Costura de Cores Ancestrais – A RETOMADA” já foi apresentada em outros três locais em Manaus, e a estreia em São Luís é a primeira apresentação fora do estado do Amazonas, um marco importante para a artista e para o projeto. Keila-Sankofa expressa sua satisfação em levar a voz dessas pessoas para novas terras, buscando expandir a presença da Amazônia e suas histórias.
Além da exposição, uma programação educacional foi planejada, incluindo um minicurso intitulado “Memória interrompida: arquivos coloniais e reparação histórica”, que será ministrado por Patrícia Melo nos dias 2 e 3 de abril. O minicurso é gratuito e visa aprofundar a discussão sobre o impacto dos arquivos coloniais e a necessidade de reparação histórica.
O projeto “Direito à Memória”, que dá origem à exposição, surgiu em 2019 como uma resposta ao apagamento sistemático das histórias de populações negras e indígenas na Amazônia. A proposta é usar a arte como um meio de humanização da memória dessas vidas, promovendo um cavamento histórico que desafia as narrativas coloniais. A mostra conta com o apoio do Governo do Estado do Amazonas e do Governo Federal, reafirmando a importância da arte no reconhecimento e na valorização das histórias de indivíduos frequentemente silenciados na história oficial.
Em suma, “Costura de Cores Ancestrais – A RETOMADA” é uma contribuição significativa para a recuperação da memória e da identidade de povos que foram historicamente marginalizados, promovendo um diálogo necessário sobre racismo e colonialismo.
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