Chikungunya: Surto Mortal Impacta Comunidades Indígenas e Provoca Fechamento de Escolas na Maior Reserva Urbana do Brasil

Chikungunya: Surto Mortal Impacta Comunidades Indígenas e Provoca Fechamento de Escolas na Maior Reserva Urbana do Brasil

Chikungunya Avança em Dourados e Causa Mortes entre Indígenas

A epidemia de chikungunya tem gerado uma crise alarmante na maior reserva indígena urbana do Brasil, localizada em Dourados, Mato Grosso do Sul. Até o momento, o surto já resultou em cinco mortes de indígenas, incluindo dois bebês com apenas 1 e 3 meses de vida, além de três idosos. A situação crítica levou ao fechamento de escolas nas aldeias Jaguapiru e Bororó e à instalação de um posto de atendimento emergencial em uma quadra escolar.

De acordo com o último boletim epidemiológico da prefeitura, a Reserva Indígena de Dourados, que abriga cerca de 21 mil pessoas das etnias guarani, terena e caiuá, registra 1.239 casos prováveis e 564 confirmados da doença. As aldeias são o foco principal da epidemia, embora o vírus esteja se espalhando para outras áreas do município.

Falta de Agentes de Combate e Medidas Emergenciais

A escassez de agentes de combate a endemias nas aldeias tem dificultado o controle da proliferação do mosquito transmissor da chikungunya. O diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli, informou que a atuação desses profissionais no território indígena estava pendente por um impasse entre as responsabilidades do município, estado e governo federal. A contratação emergencial de agentes só começou após o aumento significativo dos casos.

"Estamos fazendo a contratação de agentes para atuar no combate à chikungunya", enfatizou Stabeli. Recentemente, as aulas foram suspensas em várias escolas devido ao adoecimento de professores, funcionários e alunos. Na Escola Estadual Indígena Guateka Marçal de Souza, 12 dos 20 funcionários e oito professores apresentaram sintomas. Situação semelhante foi registrada em outras instituições de ensino, com altos índices de adoecimento.

Estrutura de Atendimento e Resposta do Governo

Diante da gravidade da situação, uma estrutura improvisada de atendimento foi criada na quadra da Escola Tengatui Marangatu, onde profissionais do Hospital Universitário da UFGD começaram a prestar assistência. O Ministério da Saúde também enviou reforços. Stabeli detalhou que a resposta federal envolve três frentes: assistência médica, controle do mosquito e diagnósticos da situação local.

As equipes têm realizado visitas domiciliares e ações de eliminação de criadouros. "De cada 10 possíveis focos, 9 estavam contaminados", destacou Stabeli, ressaltando as condições que favorecem a transmissão na região, como o acúmulo de água em recipientes.

Condições Críticas e Necessidade de Ações Imediatas

O cacique Vilmar Martins Machado da Silva alertou que a situação continua crítica, com a curva de casos se mantendo alta. Ele também apontou a falta de coleta de lixo e limpeza como fatores que agravam o cenário. "Estamos pedindo limpeza e coleta de lixo, mas não estava acontecendo", afirmou.

Atualmente, a rede de saúde enfrenta uma sobrecarga, com 37 internações por casos suspeitos e confirmados, e uma taxa de ocupação hospitalar de 97%. No total, Dourados possui 1.638 casos prováveis e 780 confirmações, com uma taxa de positividade de 78,15%, indicando uma intensa circulação do vírus.

Vacinação e Futuro da Situação

Para tentar conter a epidemia, Mato Grosso do Sul deve receber 40 mil doses de vacina contra chikungunya em um projeto piloto do Ministério da Saúde, visando pessoas de 18 a 59 anos. No entanto, ainda não há data definida para a aplicação da vacina.

O infectologista Júlio Croda, da Fiocruz e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), alerta que a situação em Dourados já ultrapassa o que é considerado como limiar para uma epidemia, especialmente nas aldeias, onde a população é menor e a concentração de casos, maior.

Fonte: Link original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Categorias

Publicidade
Publicidade

Assine nossa newsletter

Publicidade

Outras notícias