Banco Pleno S.A. Entra em Liquidação Extrajudicial e Aumenta Incertezas no Setor Financeiro
Na Quarta-Feira de Cinzas, o Banco Central do Brasil anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., intensificando a instabilidade no setor financeiro, especialmente entre instituições de médio porte. O Pleno, que havia atraído investidores com Certificados de Depósito Bancário (CDBs) oferecendo rendimento de 110% do CDI, agora se vê em meio a um cenário de incertezas, similar ao enfrentado por outras instituições em dificuldades.
Nos últimos meses, o mercado já havia observado a liquidação de outras instituições, como o Banco Master e o Will Bank, que resultou em CDBs sendo negociados a taxas ainda mais altas, chegando a 165% do CDI em algumas situações. Essa escalada nos rendimentos reflete um aumento na percepção de risco por parte dos investidores.
Dados recentes do Banco Central revelam que, em setembro do ano passado, o Pleno apresentava passivos da ordem de R$ 6,8 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 5,2 bilhões eram relacionados a CDBs, representando 81,6% dos depósitos a prazo da instituição. A concentração em captações de investidores pessoa física elevou a vulnerabilidade do banco, especialmente em tempos de crise.
Impacto na Base de Investidores
Com a liquidação decretada, cerca de 160 mil investidores, que detinham títulos emitidos pelo banco, passam a ter direito à cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), totalizando aproximadamente R$ 4,9 bilhões. Contudo, ainda não há informações atualizadas sobre o número total de clientes da instituição.
História e Transformações do Banco Pleno
A trajetória do Banco Pleno é marcada por diversas mudanças. Originalmente fundado em 1967 como Banco Indusval & Partners, com foco no agronegócio, a instituição passou por uma oferta pública inicial de ações em 2007 e expandiu suas operações nos anos seguintes. No entanto, a partir de 2013, sua carteira de crédito, concentrada em pequenas e médias empresas, começou a apresentar sinais de deterioração.
Em 2019, uma cisão separou os ativos problemáticos, e a operação passou a ser realizada sob a marca Voiter, com foco em soluções digitais. Em 2024, o controle foi adquirido pelo Banco Master, uma transação aprovada pelo Banco Central e pelo CADE.
Mudanças na Estratégia e Desafios Futuros
Sob a nova gestão, o banco adotou uma estratégia voltada para o varejo, especialmente no crédito consignado. No entanto, em 2025, com a fragilidade do conglomerado em evidência, houve uma nova mudança de controle e a instituição passou a se chamar Pleno. O novo controlador injetou cerca de R$ 160 milhões, mas a herança de passivos da fase anterior aumentou a complexidade da recuperação financeira.
Além das reestruturações e mudanças de controle, o banco enfrentou disputas judiciais que envolviam antigos controladores e o novo grupo, o que contribuiu para a insegurança sobre sua governança e saúde financeira. A combinação de reestruturações, dependência de captação de alta rentabilidade e conflitos societários complicaram ainda mais a reabilitação da confiança do mercado no Banco Pleno S.A.
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