No dia 28 de outubro de 2023, manifestantes tomaram as ruas dos Estados Unidos em uma nova onda de protestos organizados pelo movimento “No Kings” (sem reis). Os organizadores afirmaram que mais de 3.200 atos foram realizados em todos os 50 estados, com a expectativa de que mais de 9 milhões de pessoas participassem, tornando-se um dos maiores protestos não violentos da história do país. A primeira mobilização do “No Kings” ocorreu em 2025, no aniversário de Donald Trump, e reuniu entre 4 e 6 milhões de pessoas. O segundo evento, em outubro do mesmo ano, atraiu cerca de 7 milhões de manifestantes.
O movimento “No Kings” se destaca como a principal forma de contestação desde o retorno de Trump à presidência, refletindo uma insatisfação generalizada com suas políticas. O nome do movimento simboliza a defesa dos princípios democráticos e antiautoritários que fundamentam os Estados Unidos, os quais, segundo os manifestantes, estão sendo ignorados pelo presidente. Os protestos não têm uma única reivindicação, mas abordam diversas questões, como a repressão a imigrantes, a violência policial e a guerra no Oriente Médio, particularmente a recente escalada de conflitos entre EUA e Irã.
No contexto dos protestos, a porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, desdenhou dos atos, sugerindo que se tratavam de “sessões de terapia” para aqueles obcecados por Trump, e que seu impacto era limitado ao interesse da mídia. As pesquisas de opinião mostram uma crescente rejeição ao governo Trump, com uma pesquisa da Fox News indicando que 59% dos americanos desaprovam sua administração, o maior índice desde que ele assumiu a presidência. A aprovação caiu de 40% para 36%, refletindo o descontentamento em meio ao aumento do custo de vida e dos combustíveis, exacerbado por conflitos no Irã.
A insatisfação política representa uma ameaça aos republicanos nas eleições de meio de mandato, programadas para 3 de novembro, onde os eleitores escolherão novos congressistas e governadores. Não apenas os protestos ocorreram em estados tradicionalmente democratas, mas também em áreas republicanas, o que é considerado um indicativo do apelo do movimento. Lisa Gilbert, uma das organizadoras, enfatizou que a iniciativa transcende partidarismos, sendo um ato patriótico fundamental.
Além das manifestações nos EUA, protestos similares ocorreram em várias cidades da Europa, como Itália, França, Alemanha e Espanha, solidificando uma rede de oposição global às políticas de Trump. Os atos nos EUA começaram pela manhã, com a participação de políticos, artistas e líderes comunitários, que levantaram cartazes e gritaram palavras de ordem contra a guerra no Irã, ameaças aos direitos de voto e ações de deportação em massa.
O estado de Minnesota foi designado como o principal local para o evento nacional, considerado um centro de oposição ao governo federal, especialmente após ações de repressão migratória. Minneapolis e St. Paul esperavam reunir o maior número de participantes, com estimativas de até 100 mil pessoas em uma área já marcada por uma manifestação anterior que atraiu cerca de 80 mil participantes. A expectativa de um aumento de 40% na participação de comunidades menores em relação aos eventos anteriores também destaca a mobilização crescente em áreas fora dos grandes centros urbanos.
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